Em um movimento diplomático significativo, o Quênia manifestou na segunda-feira (26) seu apoio ao plano marroquino que propõe a autonomia para a região disputada do Saara Ocidental, mantendo-a sob a soberania do Marrocos. Essa posição alinha o país com uma crescente lista de nações africanas, árabes e ocidentais que vêm apoiando Rabat no conflito que já dura mais de 40 anos.
O conflito entre o Marrocos e a Frente Polisário, esta última apoiada pela Argélia, remonta a 1975. O Marrocos considera o Saara Ocidental parte de seu território, enquanto a Frente Polisário luta pelo reconhecimento do Saara Ocidental como um Estado independente.
A declaração conjunta emitida após reuniões entre os ministros das Relações Exteriores do Quênia e do Marrocos, realizadas em Rabat, destaca que o Quênia vê a proposta marroquina de autonomia como a única solução viável e sustentável para o conflito.
Além disso, o Quênia renovou sua proximidade diplomática com o Marrocos, abrindo uma embaixada em Rabat após 60 anos de relações bilaterais. O acordo entre os países inclui a ampliação da cooperação em setores como energias renováveis, turismo, pesca, segurança e cultura.
Marrocos, que é um dos maiores produtores mundiais de fosfatos e fertilizantes, comprometeu-se a acelerar as exportações desses produtos para o Quênia. Em contrapartida, o Quênia busca expandir suas exportações de chá, café e produtos agrícolas para equilibrar o comércio bilateral.
O ministro das Relações Exteriores do Marrocos, Nasser Bourita, classificou o apoio queniano à causa do Saara Ocidental como um impulso importante para as relações entre os dois países. Já o ministro das Relações Exteriores do Quênia, Musalia Mudavadi, destacou, em suas redes sociais, o interesse em fortalecer o comércio entre as nações.
Outro ponto destacado na declaração conjunta foi o apoio do Quênia a uma iniciativa do Marrocos que oferece aos países do Sahel acesso facilitado ao comércio internacional por meio dos portos atlânticos marroquinos, fortalecendo a integração econômica regional.
Esse alinhamento reforça a crescente influência do Marrocos na diplomacia africana e destaca a importância de parcerias estratégicas para o desenvolvimento econômico e político na região.





