A Polícia Federal (PF) identificou uma sala secreta em um hangar no Aeroporto Internacional de Brasília utilizado por empresas de aviação ligadas ao advogado Willer Tomaz. O espaço chamou a atenção dos investigadores por apresentar uma estrutura que, segundo a corporação, poderia ser utilizada para armazenar valores em dinheiro. No local, foram encontradas uma máquina de contar cédulas, malas e prateleiras, mas nenhuma quantia em espécie foi localizada durante a vistoria.
A descoberta ocorreu em agosto de 2026, após uma denúncia anônima indicar a existência de um compartimento escondido nas instalações. O hangar já havia sido alvo de diligências da Polícia Federal, realizadas no contexto da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de irregularidades relacionadas a descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
De acordo com as informações divulgadas pela imprensa, os investigadores retornaram ao local após receberem a denúncia e identificaram uma passagem escondida atrás de um painel de madeira. O acesso levava a uma sala protegida por uma porta metálica robusta, aparentemente blindada, que dava entrada a um ambiente reservado.
No interior do compartimento, os agentes encontraram equipamentos e objetos que despertaram o interesse da investigação. Entre os itens identificados estavam uma máquina utilizada para contar dinheiro, malas vazias e prateleiras. A disposição do espaço levou a Polícia Federal a considerar a possibilidade de que o ambiente tivesse sido preparado para guardar valores em espécie.
Apesar dos elementos encontrados, a ausência de dinheiro no momento da inspeção é um dos pontos centrais do caso. A Polícia Federal busca esclarecer se o compartimento foi utilizado anteriormente para armazenar recursos e se houve eventual retirada de valores antes da chegada dos investigadores. A descoberta, por si só, não comprova a prática de qualquer crime, e a finalidade efetiva da estrutura ainda precisa ser esclarecida no decorrer das apurações.
A diligência faz parte de um conjunto de medidas adotadas pela Polícia Federal para aprofundar investigações sobre possíveis irregularidades financeiras e patrimoniais. A Operação Sem Desconto apura um suposto esquema de fraudes envolvendo benefícios previdenciários, com suspeitas de movimentação e ocultação de recursos que teriam origem ilícita.
Willer Tomaz foi um dos alvos das medidas investigativas. Durante as diligências relacionadas ao caso, a Polícia Federal também apreendeu quatro aeronaves vinculadas a empresas do advogado e recolheu documentos, listas de passageiros e registros de voos. O material deverá auxiliar os investigadores na análise da utilização das aeronaves e na identificação de pessoas que possam ter utilizado os serviços.
Outro detalhe que chamou a atenção dos agentes foi a localização de uma segunda máquina de contar dinheiro na residência do advogado. O equipamento, assim como os objetos encontrados no hangar, integra o conjunto de elementos que podem ser examinados pelas autoridades para esclarecer a natureza das atividades realizadas e verificar se existe alguma relação com os fatos investigados.
A análise de documentos e outros registros é considerada importante para reconstruir eventuais movimentações financeiras e compreender a utilização das estruturas ligadas às empresas. Entretanto, a existência de equipamentos para contagem de cédulas não representa, isoladamente, prova de irregularidade, especialmente quando há alegação de utilização profissional desses recursos.
Procurada para comentar o caso, a defesa de Willer Tomaz confirmou a existência da sala-cofre e dos equipamentos instalados no hangar. Segundo o advogado, a estrutura faz parte das operações destinadas ao atendimento de empresas de transporte de valores que são clientes das companhias de aviação.
A defesa argumenta que o transporte aéreo de dinheiro exige procedimentos específicos de segurança, controle e custódia. Nesse contexto, ambientes protegidos, malas apropriadas e máquinas para contar cédulas seriam compatíveis com as atividades comerciais desenvolvidas pelas empresas atendidas.
O advogado também contestou a suspeita de que o local pudesse ter sido utilizado para guardar ou contar dinheiro de origem ilícita. Em manifestação pública, classificou essa interpretação como fantasiosa e ressaltou que nenhuma quantia em dinheiro foi encontrada durante a inspeção da sala.
A posição apresentada pela defesa é de que a estrutura possui uma finalidade operacional legítima e não deve ser interpretada como evidência de crime sem a existência de provas concretas. Dessa forma, a investigação deverá considerar tanto os elementos identificados pelos policiais quanto as explicações apresentadas pelos responsáveis pelo espaço.
Willer Tomaz é conhecido por sua relação de amizade com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O nome do advogado também aparece em outra investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis irregularidades envolvendo movimentações financeiras relacionadas a empresas e plataformas de apostas.
Essa segunda apuração tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e é distinta do procedimento que levou às buscas relacionadas à Operação Sem Desconto. A existência de investigações paralelas exige cuidado na interpretação das informações, uma vez que os objetos de apuração e as circunstâncias de cada procedimento não são necessariamente os mesmos.
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam irregularidades e afirmam que não mantêm negócios ilícitos entre si. Até o momento, não há informação de que a sala encontrada no hangar tenha sido utilizada pelo senador ou de que ele tenha relação comprovada com o compartimento identificado pelos investigadores.
Por isso, a descoberta precisa ser analisada dentro dos limites dos fatos já divulgados. A ligação pessoal entre o advogado e o senador, por si só, não comprova envolvimento de terceiros em eventuais irregularidades relacionadas ao espaço.
A Polícia Federal deverá aprofundar a análise dos elementos recolhidos para esclarecer a finalidade da sala, a utilização dos equipamentos e a possível existência de movimentações anteriores de dinheiro em espécie. Exames periciais e a avaliação de documentos e registros poderão contribuir para determinar se há relação entre o compartimento e os fatos investigados.
Os investigadores também buscam compreender a dinâmica de utilização das aeronaves e das estruturas empresariais vinculadas ao advogado. A análise dos registros de passageiros e dos documentos apreendidos poderá ajudar a esclarecer quem utilizava os serviços e se houve alguma movimentação relevante para as apurações.
O caso ganhou repercussão justamente pela combinação de uma sala escondida, uma porta aparentemente blindada e equipamentos destinados à contagem de dinheiro. No entanto, o ponto fundamental é que nenhum valor em espécie foi encontrado no compartimento durante a vistoria, e a defesa sustenta que o espaço possui finalidade comercial legítima.
A conclusão sobre a existência de eventuais irregularidades dependerá do avanço das investigações e da análise das provas pelas autoridades competentes. Até que os fatos sejam devidamente esclarecidos, as suspeitas devem ser tratadas como questões em apuração, sem antecipar conclusões sobre responsabilidades individuais.





