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Texas Enfrenta Tragédia Após Enchentes: 79 Mortos e Buscas Por Desaparecidos Continuam

Texas Enfrenta Tragédia Após Enchentes: 79 Mortos e Buscas Por Desaparecidos Continuam
RONALDO SCHEMIDT / AFP

Equipes de resgate seguem as buscas por desaparecidos após as enchentes devastadoras que atingiram o estado do Texas, nos Estados Unidos. O desastre natural já deixou, até o momento, pelo menos 79 mortos, além de dezenas de pessoas desaparecidas, incluindo um grupo de 10 meninas e um conselheiro de um acampamento cristão localizado às margens do rio Guadalupe, no condado de Kerr.

No local onde o acampamento Mystic estava instalado, os vestígios da tragédia são visíveis: objetos pessoais como cobertores, brinquedos e ursos de pelúcia foram encontrados cobertos de lama, e as janelas dos chalés foram destruídas pela força da água. O governador do Texas, Greg Abbott, afirmou que cerca de 750 jovens estavam no local quando o rio transbordou. Segundo ele, o acampamento ficou “irreconhecível, como nunca visto em qualquer outro desastre natural”.

Abbott descreveu a cena em suas redes sociais: “A água atingiu o topo das cabanas. Não vamos parar até localizar todas as meninas desaparecidas”. O vice-governador Dan Patrick alertou para o risco de novas inundações, já que mais chuvas fortes são previstas nos próximos dias.

Entre os relatos de heroísmo, um funcionário do acampamento quebrou a janela de uma das cabanas para permitir que meninas escapassem da inundação. Elas nadaram entre 10 e 15 minutos, em meio à escuridão, correntezas violentas, árvores caindo e pedras rolando.

Inicialmente, as autoridades contabilizavam 27 meninas desaparecidas, mas esse número foi revisado para 11. Algumas vítimas foram encontradas em áreas alagadas, como uma das meninas do acampamento que ficou presa em uma árvore.

Declaração de desastre e apoio federal

Diante da magnitude da tragédia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma declaração federal de desastre neste domingo, o que libera recursos emergenciais para o Texas. “Esta é uma catástrofe sem precedentes nos últimos 100 anos. É devastador assistir”, afirmou Trump, que confirmou visita ao estado na próxima sexta-feira.

O Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) alertou para o risco de novas tempestades. Estima-se que possam cair até 250 mm de chuva em algumas áreas já afetadas, o que pode agravar ainda mais a situação. O solo, saturado pelas chuvas anteriores, já não absorve mais água, favorecendo novas inundações. Em apenas 45 minutos, na sexta-feira, o nível do rio Guadalupe subiu quase 8 metros após um volume de chuva equivalente a um terço do previsto para todo o ano.

Moradores relataram cenas impressionantes. “A água chegava à copa das árvores, eram quase 10 metros. Carros e casas inteiras foram arrastadas pelo rio”, contou Gerardo Martínez, de 61 anos, que vive na região.

Voluntários se unem às buscas

Voluntários de diferentes regiões dos EUA estão auxiliando nas buscas. No condado de Kerr, o mais atingido, equipes civis têm atuado ao lado dos bombeiros e da polícia. O casal Adam e Amber Durda, por exemplo, viajou mais de três horas para ajudar. Eles buscam quatro mulheres desaparecidas, mas afirmam estar dispostos a encontrar qualquer pessoa.

Outro voluntário, Justin Morales, de 36 anos, relatou ter encontrado três corpos, entre eles o de uma menina do acampamento que foi levada pela correnteza e ficou presa em uma árvore. “É doloroso, mas é importante ajudar a dar um encerramento às famílias”, disse.

Debate sobre mudanças climáticas e cortes em órgãos de prevenção

A tragédia reacendeu críticas ao governo federal sobre os cortes de verbas e de pessoal em órgãos como a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), responsável por projeções meteorológicas e alertas. Cientistas alertam que eventos extremos, como as enchentes no Texas, estão se tornando mais frequentes e intensos devido às mudanças climáticas causadas pela ação humana.

A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que Trump pretende investir em tecnologias para aprimorar a atuação da NOAA. No entanto, especialistas destacam a urgência de políticas públicas mais eficazes para prevenir catástrofes ambientais em regiões vulneráveis.

Editor Sucesso