Ao atingir a marca de 100 dias em seu segundo mandato, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrenta a pior taxa de aprovação já registrada para um presidente americano nesse estágio inicial de governo nos últimos 80 anos. Segundo pesquisa realizada pelo Washington Post, ABC News e Instituto Ipsos, 55% dos eleitores desaprovam sua gestão, enquanto apenas 39% demonstram apoio. Outros 5% dos entrevistados preferiram não opinar.
A queda na aprovação, que já era de 45% em fevereiro, antes do anúncio de novas tarifas comerciais, é atribuída a uma série de decisões controversas e à percepção de deterioração econômica. Medidas como a ampliação dos poderes presidenciais, políticas rígidas de deportação e o fechamento de agências federais contribuíram para o desgaste da imagem presidencial.
Os maiores recuos de apoio vieram de dois grupos que historicamente deram sustentação a Trump: eleitores brancos sem ensino superior e jovens com menos de 30 anos, que registraram queda de 10 e 13 pontos percentuais, respectivamente.
No campo econômico, o descontentamento é ainda mais evidente. Cerca de 73% dos americanos consideram a situação do país ruim, e 53% afirmam que a economia piorou desde a posse de Trump. A confiança nas políticas econômicas do presidente é baixa — apenas 31% acreditam que ele conduz a economia de forma eficaz. As tarifas comerciais adotadas no início do ano também são vistas negativamente pela maioria da população.
O impacto político se reflete até mesmo dentro do próprio Partido Republicano. Segundo os dados da pesquisa, cerca de um quarto dos eleitores republicanos considera que Trump tem ido longe demais em seu uso do poder executivo, o que inclui demissões em massa de funcionários públicos e a centralização de decisões.
No cenário internacional, os primeiros cem dias do novo mandato também trouxeram reflexos na economia global. O dólar perdeu força frente a outras moedas, especialmente na América Latina, onde divisas como o real se valorizaram. Ainda assim, a moeda americana continua sendo considerada a principal referência de reserva no mercado internacional.
Diante das críticas, Trump reagiu atacando os institutos de pesquisa, classificando os levantamentos como “falsos” e alegando que são parte de uma suposta “fraude eleitoral”. Ele também pediu investigações contra as empresas responsáveis pelas sondagens.
Com aprovação em queda, incertezas econômicas e divisões internas em seu partido, o governo Trump entra em uma fase decisiva, com analistas políticos atentos aos rumos que a administração tomará nos próximos meses.





