O governo de Donald Trump divulgou um vídeo que apresenta a influência dos Estados Unidos sobre o Hemisfério Ocidental como um dos principais pilares da política externa do país. Publicada pelo Departamento de Estado, a produção recupera episódios da história americana e destaca a Doutrina Monroe como uma referência para a atuação de Washington nas Américas.
Com pouco mais de cinco minutos, o vídeo faz uma retrospectiva que começa na independência dos Estados Unidos e passa por diferentes momentos em que o país ampliou sua influência política e estratégica no continente. A narrativa chega ao segundo mandato de Trump e o apresenta como o mais recente defensor dos princípios associados à Doutrina Monroe.
A publicação ocorre em um momento no qual a política externa do governo Trump tem dado maior destaque à posição dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental. A estratégia mencionada no vídeo está alinhada a conceitos apresentados na Estratégia de Segurança Nacional divulgada pela administração republicana em dezembro de 2025, documento que incorporou o chamado “Corolário Trump” e propôs uma retomada da Doutrina Monroe como referência para as relações dos Estados Unidos com a América Latina e o Caribe.
A Doutrina Monroe foi apresentada pelo presidente James Monroe ao Congresso americano em 1823. Originalmente, a iniciativa tinha como objetivo impedir novas tentativas de colonização ou interferência de potências europeias no continente americano. Ao longo das décadas seguintes, entretanto, a interpretação da doutrina mudou e passou a ser utilizada para justificar uma atuação cada vez mais forte dos Estados Unidos na região.
É justamente essa transformação histórica que o vídeo procura destacar. A produção afirma que, em seus primeiros anos, a doutrina tinha caráter essencialmente defensivo, voltado à tentativa de manter as potências europeias afastadas das Américas. Posteriormente, porém, autoridades americanas passaram a interpretar o princípio de maneira mais abrangente, associando-o à ideia de que os Estados Unidos deveriam exercer uma posição predominante no Hemisfério Ocidental.
Um dos episódios citados é a atuação do secretário de Estado Richard Olney, em 1895, quando a Doutrina Monroe foi utilizada em uma disputa envolvendo os Estados Unidos e o Reino Unido. O vídeo também menciona a Guerra Hispano-Americana e o aumento da presença americana no Caribe, incluindo a tomada de Porto Rico e a expulsão da Espanha de Cuba.
Outro momento lembrado é o governo de Theodore Roosevelt e o chamado Corolário Roosevelt, que ampliou a interpretação da Doutrina Monroe e serviu de justificativa para intervenções dos Estados Unidos em países da América Latina. A narrativa também cita o processo que levou à independência do Panamá em relação à Colômbia e, posteriormente, à participação americana na construção e administração do Canal do Panamá.
A produção ainda resgata a crise dos mísseis de Cuba, em 1962, episódio considerado um dos momentos mais perigosos da Guerra Fria. O vídeo destaca a retirada dos mísseis soviéticos de Cuba após o confronto com Washington e utiliza o acontecimento como exemplo da importância estratégica atribuída pelos Estados Unidos ao controle e à segurança do Hemisfério Ocidental.
Ao longo do material, nomes de diferentes períodos da história americana são apresentados como defensores ou representantes da Doutrina Monroe. Entre eles estão James Monroe, Richard Olney, Theodore Roosevelt, John F. Kennedy e Ronald Reagan. A sequência histórica é utilizada para apresentar Trump como o mais recente presidente a assumir essa visão de política externa.
A parte final do vídeo ganha um tom mais diretamente relacionado ao atual governo americano. A produção menciona a operação de captura de Nicolás Maduro na Venezuela e reproduz uma declaração feita por Trump após a ação. Na fala, o presidente afirma que, sob a nova estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos, o domínio americano no Hemisfério Ocidental não voltará a ser questionado.
A mensagem apresentada pelo Departamento de Estado reforça, portanto, uma visão segundo a qual os Estados Unidos devem manter uma posição predominante nas Américas. A ideia representa uma interpretação mais ampla da antiga Doutrina Monroe, que deixou de ser apenas uma advertência às potências europeias e passou, em diferentes momentos históricos, a servir como fundamento para a atuação política, econômica e militar de Washington na região.
O próprio vídeo reconhece essa transformação ao apresentar a doutrina como uma estrutura que, ao longo de mais de dois séculos, acompanhou diferentes governos e cenários internacionais. Na conclusão, o material sustenta que aquilo que começou como uma reação à possibilidade de novas intervenções europeias acabou evoluindo para uma política de domínio regional e permanece como uma referência para a estratégia americana no Hemisfério Ocidental.
A divulgação do vídeo sinaliza, assim, a importância que o governo Trump pretende atribuir à América Latina e ao Caribe dentro de sua agenda internacional. Ao recuperar a Doutrina Monroe e associá-la diretamente à atual administração, Washington apresenta uma política externa que coloca a liderança dos Estados Unidos sobre o continente como um de seus principais objetivos estratégicos.
A iniciativa também chama atenção para possíveis impactos nas relações dos Estados Unidos com os demais países americanos. Ao defender explicitamente uma posição de predominância no Hemisfério Ocidental, o governo Trump reforça uma visão de política externa que pode influenciar negociações diplomáticas, questões de segurança e a relação de Washington com governos latino-americanos e caribenhos nos próximos anos.





