O xadrez político em Goiás com Caiado em palanque nacional
Com o governador Ronaldo Caiado (União Brasil) em pré-campanha oficial a presidente da República, o que significa maior foco no projeto nacional, a hora é de acomodação das abóboras no plano local, Goiás.
Quer dizer: arrumação de espaços no governo para aliados ainda estão fora e organização da chapa e dos interesses eleitorais variados que pacifiquem o projeto caiadista e abram caminho para a reeleição de Daniel Vilela (MDB) no ano que vem.
Ronaldo Caiado tem apoio de uma ampla base para sua pré-candidatura, e de lideranças que não o defendem mas também não trabalham contra. Uma situação bem diferente da enfrentada, por exemplo, por Iris Rezende (MDB).
Iris sofreu a resistência do então colega de partido e governador Henrique Santillo e perdeu a vaga para Ulysses Guimarães.
Contra mesmo, apenas os tradicionais adversários PT e ex-governador Marconi Perillo (PSDB), que tocam projetos pessoais – o PT, reeleição de Lula; o tucano, como pré-candidato a governador.
PL, DANIEL, CAIADO
No PL, há ranhuras, como na ação que pede a sua inelegibilidade pelo que foi visto e denunciado como ato de campanha dentro do Palácio das Esmeraldas em favor do prefeito Sandro Mabel. Mabel disputava segundo turno com o peelista Fred Rodrigues.
Foi a coligação de Fred à época a autora da ação. Mas, ao que parece, os tempos são outros. Nos últimos dias, Caiado e Jair Bolsonaro voltaram a se entender. Caiado participou do ato pró-Anistia deste domingo, 6, junto com o ex-presidente.
O clima entre ambos é de seguir na pacificação. E se não há consenso sobre pautas bolsonaristas e sobram candidatos a presidente na direita para se falar, desde já, de entendimento para as eleições, pelo menos as portas do diálogo estão abertas.
A arrumação da casa em Goiás passa por aí, muito diálogo. Daniel mostrou interesse em ter o PL na vice, o que é indicado pelo vereador Vitor Hugo como caminho, porém negado pelo deputado federal Gustavo Gayer e o próprio Fred, que veem outro rumo para a legenda.
FOCO NO CERRADO
No horizonte está a candidatura do senador Wilder Morais, que seria contra Daniel. E possíveis candidaturas ao Senado: de Gayer e Vitor Hugo. Interesses internos cruzados, o que explicaria, pelo menos em parte, a visão divergente no posicionamento para o governo.
Com um ponto e vírgula: a suplente de Wilder é a esposa do senador Vanderlan Cardoso (PSD), visto por muitos líderes do PL como “lulista” – embira de direita, ele não se alinha completamente ao bolsonarismo -, e que tem se reaproximado do governador Ronaldo Caiado.
Também querem o Senado Alexandre Baldy, do PP, Zacharias Kalil, do União Brasil, Gustavo Mendanha (MDB) e outros. Todos com ações centradas nos bastidores. E considerando que uma das duas vagas está definida, para a primeira-dama do Estado Gracinha Caiado.
A vice é menos disputada, porém é alvo ativo. Hoje, há dois nomes mais citados: o do secretário de Governo Adriano Rocha Lima, primo do governador, e o do presidente da Faeg, José Mário Schreiner, Tudo aponta para uma articulação com nome certo, o de Adriano, que amarraria MDB e o União Brasil do governador na chapa principal. No caso de José Mário, ele entra no jogo apenas se não chegar ao posto que almeja de fato, o de presidente da Confederação da agricultura e da Pecuária do Brasil (CNA).
CHAPA DE DEPUTADOS
O xadrez é mais amplo, pois a a base governista de Caiado e Daniel, elástica no apoio partidário, terá que se preocupar com lances abrangentes e pontuais, cheios de nuances. Um deles, a formação das chapas de candidatos a deputado federal e estadual. A federal, especialmente, por conta dos recursos financeiros destinados aos partidos e eleições em Brasília.
Todo o tabuleiro está posto, porém estava em estado de espera. Começa a ser mexido com mais atenção agora. Essa mexida, mais do que o projeto de Caisdo, é que definirá o futuro político de Goiás. Caiado terá de jogar fora e jogar aqui simultaneamente. Fora, para se viabilizar. Aqui, para não se complicar e para viabilizar Daniel. Neste campo minado, os movimentos dependem dele e também, claro, de Daniel.
Por Vassil Oliveira





