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Flávio explica viagem em jato ligado a Vorcaro

Flávio explica viagem em jato ligado a Vorcaro

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro confirmou que utilizou, em janeiro de 2025, um jato executivo que tinha entre seus participantes uma empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, então proprietário do Banco Master. A viagem ocorreu durante o retorno de Flávio, da mulher, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas da família aos Estados Unidos para o Brasil.

A confirmação veio após a divulgação de informações sobre a aeronave e ganhou repercussão porque, meses antes, Flávio havia aparecido em um vídeo afirmando que nunca havia viajado em um avião de Vorcaro. Depois que os dados sobre o voo de janeiro de 2025 voltaram a circular, o senador apresentou sua versão sobre o episódio e afirmou que, na época, acreditava que o avião pertencia ao advogado Willer Tomaz, que também estava a bordo.

O voo aconteceu em 19 de janeiro de 2025. Flávio e sua família embarcaram em Fort Lauderdale, na Flórida, por volta das 12h15, com destino a Brasília, onde o avião pousou às 20h01. Segundo os dados citados pelo Correio Braziliense, o senador havia chegado aos Estados Unidos em dezembro de 2024 para passar as festas de fim de ano com familiares e amigos.

A aeronave utilizada era um Embraer Legacy 650, de prefixo PP-NLR, fabricado em 2012. O modelo é um jato executivo de longo alcance, com capacidade para transportar até 13 passageiros e velocidade de cruzeiro de aproximadamente 850 quilômetros por hora.

Além da família Bolsonaro, o advogado Willer Tomaz estava no voo. O nome de Tomaz também aparece em investigações da Polícia Federal relacionadas a descontos indevidos em benefícios de aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A discussão sobre o avião está relacionada principalmente à forma como sua propriedade e administração estavam estruturadas. Segundo a reportagem, a aeronave estava inserida em um sistema de propriedade compartilhada, envolvendo diferentes cotistas. Entre eles estava Willer Tomaz e uma empresa chamada Prime You, que tinha Daniel Vorcaro como sócio naquele período.

A aeronave era operada pela Prime Aviation por meio de um contrato de cessão firmado com a empresa Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A. A estrutura empresarial envolvia diferentes participantes, o que fez com que a relação entre o avião e Vorcaro passasse a ser questionada após a divulgação da viagem.

Flávio afirmou que não sabia da participação relacionada a Vorcaro. Segundo a explicação apresentada pelo senador, ele tinha a informação de que o avião pertencia a Willer Tomaz e, por isso, não considerava que estivesse viajando em uma aeronave ligada ao banqueiro.

O advogado também apresentou sua versão. Tomaz afirmou que possuía uma participação na aeronave e disse que uma negociação envolvendo outra participação e a Prime You teria ocorrido sem seu conhecimento ou consentimento. De acordo com a manifestação divulgada pelo advogado, ele teria tomado conhecimento da situação posteriormente e adotado medidas para contestar o vínculo.

O episódio ganhou ainda mais repercussão porque o mesmo Legacy 650 foi utilizado, meses depois, pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e por sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes. O casal utilizou a aeronave em agosto de 2025.

A utilização do mesmo avião por pessoas diferentes em momentos distintos passou a ser discutida no contexto das informações relacionadas ao Banco Master e a Daniel Vorcaro. Flávio, ao comentar o assunto nas redes sociais, fez referência ao uso posterior da aeronave por Moraes e afirmou que, na época de sua viagem, acreditava que o avião estava ligado a Willer Tomaz.

A repercussão também aumentou depois que voltou a circular um vídeo publicado em julho deste ano. Na gravação, Flávio aparece ao lado da ex-deputada distrital Júlia Lucy e afirma que não costuma viajar para determinados destinos internacionais e que nunca havia entrado em um avião de Vorcaro.

A declaração passou a ser confrontada com os registros da viagem de janeiro de 2025. Em sua explicação posterior, entretanto, o senador sustentou que não tinha conhecimento da participação de uma empresa ligada ao banqueiro na estrutura do avião e que, para ele, a aeronave era de Willer Tomaz.

Além da questão relacionada ao jato, a reportagem também aborda contatos mantidos entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro em novembro de 2025, pouco antes da prisão do banqueiro. Segundo informações obtidas pelo Correio Braziliense junto a fontes da Polícia Federal envolvidas nas investigações, registros extraídos do celular de Vorcaro mostram tentativas de comunicação feitas pelo senador nos dias que antecederam a prisão.

Os contatos começaram em 13 de novembro. Na ocasião, Flávio perguntou se Vorcaro poderia atendê-lo. O banqueiro respondeu que retornaria posteriormente. No dia seguinte, o senador voltou a procurar o empresário e realizou uma chamada que não foi atendida.

As tentativas continuaram nos dias seguintes. Em 15 de novembro, Vorcaro teria informado que estava em trânsito e depois em um voo. Flávio voltou a perguntar se seria possível conversar. No dia 16, véspera da prisão, houve uma nova tentativa de contato.

Segundo a reportagem, Vorcaro informou que estava na igreja e que telefonaria posteriormente. Na sequência, Flávio enviou uma mensagem afirmando que estaria ao lado do banqueiro e pediu que ele lhe desse uma orientação.

No dia seguinte, 17 de novembro de 2025, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava deixar o país. A prisão ocorreu no contexto das investigações envolvendo suspeitas de irregularidades relacionadas ao Banco Master.

A Polícia Federal identificou ainda um período de aproximadamente três meses de conversas entre Flávio e Vorcaro, entre agosto e novembro de 2025. Os registros fazem parte do material extraído do aparelho celular do banqueiro durante as investigações.

Outro assunto mencionado nas conversas foi o projeto audiovisual Dark Horse, produção relacionada à trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a reportagem, Flávio chegou a cobrar de Vorcaro R$ 134 milhões que estariam relacionados ao financiamento da produção.

Flávio já reconheceu publicamente que mantinha contato com Daniel Vorcaro. A relação entre os dois passou a receber maior atenção à medida que novas informações e registros de conversas foram divulgados no contexto das investigações sobre o Banco Master.

No caso específico da viagem de janeiro de 2025, porém, a explicação apresentada pelo senador é de que ele não sabia que havia uma participação empresarial ligada a Vorcaro na estrutura da aeronave. Flávio afirma que viajou em família e que tinha como referência a informação de que o avião estava relacionado a Willer Tomaz.

A situação envolve, portanto, diferentes aspectos que precisam ser separados: a utilização efetiva da aeronave por Flávio e sua família, a estrutura de propriedade compartilhada do jato, a participação empresarial relacionada a Vorcaro e o conhecimento que cada envolvido afirma ter tido sobre essa estrutura naquele período.

Também é importante diferenciar a propriedade formal da aeronave, as participações societárias e a operação do avião. Segundo as informações divulgadas, esses elementos estavam distribuídos entre diferentes empresas e participantes, o que ajuda a explicar as versões apresentadas pelos envolvidos.

O episódio ocorre em meio às investigações relacionadas ao Banco Master e às discussões políticas que envolvem Flávio Bolsonaro durante o período eleitoral de 2026. A divulgação dos registros da aeronave e das mensagens entre o senador e Vorcaro acrescentou novos elementos ao debate público sobre a relação entre os dois.

Até o momento, Flávio sustenta que não tinha conhecimento da participação de Vorcaro na estrutura do jato quando realizou a viagem. Willer Tomaz, por sua vez, também apresentou uma versão segundo a qual possuía participação na aeronave e não teria autorizado a negociação envolvendo outra cota com a empresa ligada ao banqueiro.

Os fatos permanecem relacionados às investigações e às informações divulgadas sobre a estrutura empresarial do avião e os contatos entre os envolvidos. A confirmação da viagem pelo senador não equivale, por si só, a uma confirmação de que ele soubesse da participação de Vorcaro na aeronave naquela ocasião. A própria explicação apresentada por Flávio é de que ele acreditava estar utilizando um avião ligado a Willer Tomaz.

O caso continua repercutindo devido à combinação de três elementos: a viagem realizada em janeiro de 2025, a posterior utilização do mesmo jato por Alexandre de Moraes e os registros de contatos entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro revelados no contexto das investigações sobre o Banco Master.

Ana Carolina