Carregando cotação do dólar...

Mensagens revelam proximidade entre Alcolumbre e Vorcaro

Mensagens revelam proximidade entre Alcolumbre e Vorcaro

Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e controlador do Banco Master, revelaram novos detalhes sobre a relação mantida entre ele e o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Segundo reportagem da VEJA, os diálogos indicam uma relação de proximidade pessoal e também mostram que os dois mantinham contatos sobre diferentes assuntos.

O conteúdo das conversas ganhou repercussão porque Alcolumbre já havia sido questionado anteriormente sobre sua relação com Vorcaro e, segundo a reportagem, chegou a negar que conhecesse o empresário. Os registros agora divulgados apresentam mensagens em que o senador demonstra intimidade com o banqueiro e utiliza termos de amizade pessoal.

Uma das conversas ocorreu em fevereiro de 2025, no dia em que Alcolumbre foi eleito novamente presidente do Senado. Vorcaro enviou uma mensagem parabenizando o parlamentar pela vitória. Em resposta, Alcolumbre agradeceu pelo carinho e pela amizade e afirmou que considerava o banqueiro seu irmão para toda a vida. Vorcaro respondeu dizendo que também considerava Alcolumbre um irmão e que estaria disponível para ele a qualquer momento.

A troca de mensagens é apresentada pela reportagem como um dos elementos que demonstram o grau de proximidade entre os dois. O conteúdo também mostra que a relação não se limitava a contatos ocasionais e incluía conversas sobre encontros sociais, assuntos políticos e pedidos de ajuda.

Os registros analisados pela Polícia Federal também mencionam encontros e festas organizados por Vorcaro com a presença de pessoas conhecidas do meio político e empresarial. Em algumas conversas, o banqueiro aparece discutindo detalhes desses eventos com Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações, e com outras pessoas próximas.

Em determinado episódio, mensagens tratam da organização de uma festa para a qual Alcolumbre teria sido convidado. Vorcaro encaminhou ao senador informações sobre o endereço do evento e orientações relacionadas ao traje. Os diálogos também fazem referência à presença de mulheres contratadas para participar das festas privadas.

As conversas mostram ainda que Fábio Faria atuava em algumas situações como intermediário entre Vorcaro e autoridades. Segundo a reportagem, o ex-ministro aparece em diálogos relacionados à organização de encontros e à aproximação do banqueiro com integrantes dos Poderes Legislativo e Judiciário.

Um dos eventos citados ocorreu em Londres, em abril de 2024, durante uma programação voltada a debates sobre o cenário jurídico brasileiro. Vorcaro teria patrocinado uma degustação de uísque para um grupo de convidados. Entre as autoridades que participaram do evento estavam ministros do Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral da República e o diretor-geral da Polícia Federal.

A reportagem afirma que o banqueiro teria desembolsado cerca de R$ 3 milhões para o evento. As mensagens anteriores à viagem mostram conversas sobre a organização de encontros privados e sobre a preocupação de Vorcaro com a possibilidade de informações sobre essas confraternizações se tornarem públicas.

Davi Alcolumbre também aparece citado nessas conversas. Segundo os registros divulgados pela VEJA, Fábio Faria chegou a mencionar a necessidade de estabelecer um acordo de confidencialidade com o senador sobre determinados encontros.

Além das relações sociais, as mensagens indicam que Vorcaro recorria a Alcolumbre em busca de informações e auxílio em questões relacionadas ao ambiente político de Brasília. Em uma das conversas, o banqueiro pergunta ao senador sobre uma pessoa que os dois tratavam como “nosso amigo”. Alcolumbre responde que estava acompanhando o assunto e afirma que estava fazendo pressão.

Outro episódio mencionado na reportagem envolve a negociação entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Durante as discussões sobre a operação, Vorcaro teria procurado integrantes da classe política em busca de informações sobre decisões que poderiam afetar o processo.

Em determinado momento, o banqueiro teria tentado contato com Alcolumbre para saber informações sobre uma reunião envolvendo o Banco Central. A conversa também envolveu Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, que teria informado a Vorcaro que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, iria à residência de Alcolumbre depois da reunião.

As mensagens são apresentadas pela reportagem como parte do material que ajuda a reconstruir a rede de contatos de Vorcaro em Brasília. O conjunto inclui referências a parlamentares, integrantes do Executivo, autoridades do Judiciário e outras pessoas que mantinham algum tipo de relação com o empresário.

A relação entre Alcolumbre e Vorcaro também ganhou destaque por causa da discussão sobre a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso Banco Master. Segundo a VEJA, Alcolumbre adotou uma posição contrária à instalação da comissão e utilizou mecanismos regimentais para impedir que o pedido avançasse.

Na época, o presidente do Senado afirmou que aquele não seria o momento adequado para priorizar a investigação. Posteriormente, surgiram informações sobre relações entre pessoas ligadas ao Banco Master e integrantes da estrutura política do Amapá.

A reportagem também menciona o fundo de previdência dos servidores públicos do Amapá, a Amprev. Segundo as informações apresentadas, o irmão de Alcolumbre integrava o conselho da entidade, enquanto um ex-tesoureiro de campanha do senador ocupava a presidência do fundo. O caso passou a ser citado nas investigações relacionadas às operações envolvendo o Banco Master.

Outro ponto relevante é uma proposta de delação atribuída à defesa de Daniel Vorcaro e encaminhada à Polícia Federal. Segundo reportagem anterior da VEJA, o ex-banqueiro teria se oferecido para fornecer informações sobre supostos pagamentos a Alcolumbre e sobre uma conta no exterior.

A proposta teria mencionado um valor de US$ 30 milhões que, segundo a versão apresentada pela defesa de Vorcaro, teria sido destinado ao senador em troca de serviços prestados. O acordo, entretanto, não foi aceito pelas autoridades.

Alcolumbre negou as acusações e afirmou que as informações eram falsas. O senador também negou ter recebido dinheiro de Vorcaro e, segundo a reportagem, chegou a negar conhecer o banqueiro quando foi questionado sobre o assunto.

A divulgação das novas mensagens acrescenta outro elemento à discussão porque os diálogos mostram que os dois mantinham contatos e utilizavam uma linguagem de proximidade. Ainda assim, as mensagens, isoladamente, não estabelecem que tenha ocorrido qualquer crime ou que todas as suspeitas levantadas contra os envolvidos sejam verdadeiras.

A análise sobre eventual irregularidade depende da investigação dos fatos, da verificação da autenticidade e do contexto das mensagens e da avaliação das autoridades competentes. As conversas podem servir como elementos de investigação, mas eventuais responsabilidades precisam ser estabelecidas com base no conjunto das provas.

O caso também chegou ao Supremo Tribunal Federal. Em setembro, o ministro Cristiano Zanin negou um pedido relacionado à instalação da CPI do Banco Master, entendendo que não havia sido demonstrada, naquele momento, uma omissão de Alcolumbre que justificasse a medida solicitada.

Paralelamente, o ministro Luiz Fux determinou que Alcolumbre se manifeste sobre um pedido para tornar públicos registros de entrada e saída do Senado envolvendo diferentes pessoas, entre elas Daniel Vorcaro. A medida faz parte das discussões sobre os contatos do banqueiro com autoridades e parlamentares.

A divulgação das mensagens ocorre em meio a uma série de investigações sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro. A Polícia Federal vem analisando informações extraídas de aparelhos eletrônicos e documentos para reconstruir relações financeiras, empresariais e políticas que possam estar relacionadas ao caso.

O material encontrado no celular do ex-banqueiro também trouxe à tona conversas com outras autoridades e pessoas influentes de Brasília. As mensagens mostram que Vorcaro mantinha uma extensa rede de contatos e buscava informações e interlocução com diferentes setores do poder público.

No caso de Alcolumbre, o conteúdo divulgado pela VEJA mostra uma relação que, segundo a reportagem, era mais próxima do que havia sido reconhecido publicamente pelo senador. Os diálogos incluem mensagens de amizade, convites para eventos, pedidos de informação e referências a assuntos políticos.

A divulgação dessas conversas também aumenta a pressão para que Alcolumbre explique publicamente a natureza de sua relação com Vorcaro e os motivos pelos quais teria participado de determinados encontros ou mantido determinadas conversas com o empresário.

O senador, por sua vez, já negou acusações relacionadas ao recebimento de valores do ex-banqueiro e contestou informações apresentadas anteriormente sobre sua relação com o empresário.

As novas informações deverão continuar sendo analisadas no contexto das investigações envolvendo o Banco Master. A existência das mensagens e a proximidade demonstrada nos diálogos são fatos diferentes de uma eventual comprovação de irregularidades. Para estabelecer responsabilidades, será necessário avaliar o conteúdo integral das conversas, documentos, movimentações financeiras e demais elementos que possam ser reunidos pelas autoridades.

O caso também chama atenção pelo papel institucional ocupado por Alcolumbre. Como presidente do Senado e do Congresso Nacional, o parlamentar possui influência sobre a tramitação de propostas e requerimentos no Legislativo. Por isso, qualquer questionamento sobre suas relações com pessoas investigadas ganha repercussão política e institucional.

A discussão sobre a CPI do Banco Master é um dos pontos que devem continuar no centro do debate. Enquanto críticos de Alcolumbre cobram uma investigação mais ampla, o senador e seus aliados defendem suas decisões dentro das prerrogativas regimentais do Senado.

Com a divulgação das mensagens, o caso ganha novos elementos para análise. Os registros apresentados pela reportagem ajudam a mostrar como funcionava parte da rede de contatos de Daniel Vorcaro e como o banqueiro mantinha comunicação direta com autoridades e políticos.

O episódio permanece sob investigação, e novas informações poderão surgir a partir da análise do material apreendido pela Polícia Federal. Até que as apurações sejam concluídas, acusações e suspeitas devem ser tratadas como elementos sob investigação, sem antecipar conclusões sobre eventual responsabilidade criminal ou administrativa dos envolvidos.

Ana Carolina