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Centrão muda estratégia e disputa pelo comando do Congresso

Centrão muda estratégia e disputa pelo comando do Congresso

As articulações políticas em Brasília ganharam novos contornos com a aproximação das eleições que vão definir os próximos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, previstas para fevereiro de 2027. Em meio às negociações, partidos do Centrão começaram a recalcular sua relação com o Partido Liberal (PL), que ampliou sua presença no Congresso Nacional e pretende conquistar mais espaço nas principais decisões do Legislativo.

O cenário envolve diretamente a tentativa de reeleição do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), atual presidente da Câmara, e do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que comanda o Senado. Embora diferentes partidos tenham estabelecido alianças durante a disputa presidencial de 2026, os acordos para a composição das mesas diretoras do Congresso seguem uma lógica própria e envolvem interesses políticos e parlamentares.

De acordo com informações divulgadas pelo Metrópoles, lideranças do Centrão buscam preservar sua influência nas duas Casas legislativas e evitar que o crescimento do PL resulte em uma concentração ainda maior de poder nas mãos da oposição. Ao mesmo tempo, os partidos procuram manter canais de negociação com o governo federal, demonstrando que os apoios firmados durante as eleições não representam necessariamente compromissos permanentes dentro do Congresso.

A movimentação evidencia a complexidade das alianças políticas em Brasília. Mesmo partidos que estiveram do mesmo lado na eleição presidencial podem adotar estratégias diferentes quando o assunto é a distribuição de cargos, o controle de comissões e a escolha dos presidentes da Câmara e do Senado.

Na Câmara dos Deputados, Hugo Motta intensificou as articulações para permanecer no comando da Casa por mais um período. A estratégia ganhou força com a aproximação de partidos de diferentes correntes políticas, incluindo legendas do Centrão e representantes da esquerda.

Um dos movimentos mais importantes foi a declaração de apoio da federação formada por PT, PCdoB e PV à candidatura de reeleição do atual presidente. A composição ampliou para 361 o número de deputados eleitos vinculados a partidos que apoiam sua permanência no cargo.

Entretanto, o apoio da federação de esquerda veio acompanhado de uma condição importante. Os partidos sinalizaram que poderão deixar o bloco caso o PL e o Novo sejam incorporados ao grupo político que sustenta Motta.

A posição coloca o presidente da Câmara diante de um desafio: manter uma aliança ampla o suficiente para garantir sua reeleição, sem provocar o rompimento de partidos que possuem interesses diferentes na composição do Legislativo.

O PL, por sua vez, terá uma bancada de 121 deputados federais na próxima legislatura e pretende ampliar sua participação nas decisões da Câmara. O tamanho da representação garante ao partido uma posição de destaque nas negociações, embora não seja suficiente para conquistar sozinho a presidência da Casa.

Além da disputa pelo comando da Câmara, os parlamentares do PL também pretendem conquistar espaço em comissões consideradas estratégicas, como a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.

Esses colegiados possuem influência significativa sobre o funcionamento do Legislativo, pois participam da análise de projetos, discutem propostas de interesse nacional e acompanham ações do governo. Por isso, a escolha de seus integrantes e presidentes costuma fazer parte das principais negociações entre os partidos.

Mesmo sem conseguir a presidência da Câmara, o PL poderá utilizar o tamanho de sua bancada para reivindicar participação nesses espaços e aumentar sua influência sobre a agenda parlamentar.

A posição dos partidos de centro demonstra que as alianças construídas durante o processo eleitoral não significam, necessariamente, uma união em torno de todos os projetos políticos.

União Brasil, PP e Republicanos estiveram entre as legendas que apoiaram Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, mas isso não significa que estejam dispostas a entregar ao PL o protagonismo nas negociações do Congresso.

O objetivo das lideranças é preservar espaço nas decisões parlamentares e manter condições de diálogo com diferentes forças políticas. Essa estratégia permite que os partidos negociem tanto com o governo quanto com a oposição, dependendo dos interesses envolvidos em cada votação.

Na avaliação de integrantes desse grupo, o fortalecimento do PL exige uma reorganização das alianças para a próxima legislatura. A preocupação está relacionada principalmente à distribuição dos cargos de comando e à possibilidade de o partido ampliar sua influência sobre as duas Casas.

Nesse contexto, a permanência de Hugo Motta na presidência da Câmara aparece como uma das principais alternativas em discussão entre os partidos que pretendem manter uma composição mais ampla no Legislativo.

No Senado Federal, as negociações também avançaram. A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, anunciou apoio à reeleição de Davi Alcolumbre, movimento que reduz as possibilidades de uma candidatura da senadora Tereza Cristina (PP-MS) com o respaldo das duas legendas.

A decisão representa um obstáculo para setores da oposição que defendem uma candidatura alternativa ao atual presidente do Senado.

Nesse cenário, o PL marcou uma reunião para o dia 4 de novembro, quando deverá discutir se lançará o senador Rogério Marinho (PL-RN) para disputar a presidência da Casa contra Alcolumbre. Marinho é um dos nomes considerados pela oposição para representar o grupo na eleição prevista para 1º de fevereiro de 2027.

Parte dos parlamentares contrários à permanência de Alcolumbre defende uma articulação entre Rogério Marinho e Tereza Cristina. A intenção seria evitar a divisão dos votos entre candidaturas de oposição e construir uma alternativa com maior capacidade de reunir apoio de diferentes bancadas.

Enquanto isso, Alcolumbre recebe manifestações favoráveis de partidos de diferentes campos políticos. MDB, PSD, PT, União Brasil e PP são algumas das legendas que sinalizaram apoio à sua permanência no comando do Senado.

Juntos, esses partidos terão 33 senadores na próxima legislatura. Apesar de representar uma base expressiva, o número ainda fica abaixo dos 41 votos necessários para eleger o presidente da Casa, o que mantém a necessidade de novas negociações.

A eleição para a presidência do Senado possui importância estratégica porque o ocupante do cargo tem atribuições relevantes dentro da estrutura política brasileira.

Entre elas está a competência para decidir sobre o andamento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Esse assunto tem sido defendido por setores da oposição, que cobram mudanças na condução de denúncias envolvendo integrantes da Corte.

Rogério Marinho é um dos parlamentares que defendem alterações nas regras relacionadas à análise desses pedidos, uma pauta que interessa especialmente ao grupo político ligado ao bolsonarismo.

Por esse motivo, a escolha do próximo presidente do Senado ultrapassa a simples distribuição de cargos. O resultado poderá influenciar a relação entre o Congresso, o governo federal e o Poder Judiciário durante os próximos anos.

Mesmo com o crescimento de sua representação parlamentar, o PL precisará construir alianças para alcançar os votos necessários. A legenda terá uma bancada expressiva, mas não possui, isoladamente, o número suficiente para eleger o presidente do Senado.

As disputas pela Câmara e pelo Senado mostram que a próxima legislatura será marcada por negociações intensas entre partidos de centro, direita e esquerda.

De um lado, o PL pretende transformar o crescimento de suas bancadas em maior influência sobre o funcionamento do Congresso. De outro, o Centrão busca preservar sua participação nos principais espaços de decisão, enquanto partidos ligados ao governo trabalham para manter uma composição que favoreça seus interesses parlamentares.

As eleições para as presidências das duas Casas estão previstas para 1º de fevereiro de 2027 e devem representar um momento importante para definir a relação de forças políticas em Brasília.

Até lá, novas reuniões, acordos e possíveis mudanças de posicionamento poderão alterar o cenário. A definição dos candidatos, a distribuição das comissões e a capacidade de cada grupo de reunir apoio serão fatores determinantes para o resultado das disputas.

Mais do que escolher os responsáveis pela condução dos trabalhos legislativos, as eleições internas do Congresso poderão influenciar diretamente a relação entre Executivo e Legislativo, a tramitação de projetos importantes e o equilíbrio político nacional nos próximos anos.

Ana Carolina