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Acidentes de trânsito preocupam em Goiás

Acidentes de trânsito preocupam em Goiás

Os números da mortalidade masculina em Goiás acendem um importante alerta para as autoridades de saúde e para a população. Acidentes de trânsito, violência e doenças cardiovasculares estão entre os principais fatores responsáveis pela morte de homens adultos no estado, demonstrando a necessidade de ampliar as ações de prevenção e incentivar a procura por atendimento médico.

Dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, apontam que aproximadamente 18,5 mil homens com idades entre 20 e 59 anos morreram por causas externas em Goiás entre 2021 e 2025. O levantamento revela uma realidade preocupante, principalmente porque muitas dessas ocorrências poderiam ser evitadas por meio de medidas de segurança, conscientização e assistência adequada.

Entre as causas externas estão acidentes de trânsito, homicídios, agressões, suicídios, quedas, afogamentos, queimaduras e intoxicações acidentais. No estado, os acidentes envolvendo veículos, especialmente motocicletas, aparecem entre as ocorrências de maior destaque, seguidos por suicídios e quedas.

A concentração mais expressiva dessas mortes está entre homens de 20 a 39 anos, uma faixa etária formada por pessoas que, em muitos casos, estão no início ou no auge da vida profissional e familiar. A situação reforça a importância de políticas públicas direcionadas à proteção dos jovens adultos e à redução dos riscos presentes no cotidiano.

Outro dado que chama a atenção é o número de mortes provocadas por doenças cardiovasculares. No mesmo período, aproximadamente 11,8 mil homens entre 20 e 59 anos morreram em Goiás em decorrência de problemas relacionados ao aparelho circulatório. Entre as condições estão infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), doenças do coração e complicações provocadas pela pressão arterial elevada.

As informações mostram que a mortalidade masculina não está relacionada apenas aos acidentes e à violência. Problemas de saúde que podem evoluir silenciosamente também representam uma ameaça significativa, principalmente quando não são identificados e tratados em tempo adequado.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, fatores como hipertensão, diabetes sem controle, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de bebidas alcoólicas e alimentação inadequada contribuem para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Quando esses problemas não recebem acompanhamento médico, aumentam as chances de complicações graves.

Um dos principais desafios apontados pelos profissionais de saúde é a resistência de muitos homens em procurar atendimento preventivo. Existe uma percepção equivocada de que consultas médicas são necessárias apenas quando aparecem sintomas ou quando uma doença já está instalada. Esse comportamento pode atrasar diagnósticos e dificultar tratamentos que poderiam ser iniciados precocemente.

Questões culturais também influenciam essa realidade. Parte da população masculina ainda associa a procura por atendimento médico à fragilidade, deixando de lado os cuidados com o próprio corpo e adiando exames importantes. O medo de receber um diagnóstico, o constrangimento diante de determinados procedimentos e a falta de hábito de realizar consultas periódicas também contribuem para o problema.

As dificuldades de acesso aos serviços públicos representam outro obstáculo. Em muitos municípios, o horário de funcionamento das Unidades Básicas de Saúde coincide com a jornada de trabalho da população, fazendo com que trabalhadores deixem de procurar atendimento por não conseguirem conciliar as atividades profissionais com os cuidados pessoais.

Para enfrentar essa situação, a Secretaria de Estado da Saúde defende uma abordagem mais ampla da saúde masculina, que não fique limitada à prevenção do câncer de próstata. A proposta é incentivar os homens a cuidar da saúde de maneira integral, incluindo o acompanhamento de doenças crônicas, a atenção à saúde mental e a adoção de hábitos que reduzam os riscos de problemas futuros.

Nesse contexto, o Novembro Azul ganha importância como uma oportunidade de ampliar o diálogo sobre prevenção e qualidade de vida. Embora seja tradicionalmente associado ao câncer de próstata, o movimento também busca conscientizar a população sobre doenças cardiovasculares, saúde emocional, combate ao tabagismo, consumo responsável de bebidas alcoólicas e prevenção de acidentes e violências.

A campanha também reforça a importância de medidas simples que podem fazer diferença na preservação da vida. No trânsito, o uso correto do capacete e do cinto de segurança, o respeito aos limites de velocidade e a prevenção da combinação entre álcool e direção são atitudes fundamentais para reduzir acidentes graves.

Na área da saúde, o acompanhamento periódico da pressão arterial, dos níveis de glicose e do colesterol pode ajudar a identificar fatores de risco antes que provoquem complicações. A prática regular de atividades físicas, uma alimentação equilibrada e o abandono do cigarro também são medidas importantes para proteger o coração.

A saúde mental merece atenção especial, principalmente diante dos números relacionados ao suicídio. O acolhimento, o diálogo e a procura por ajuda profissional são fundamentais para identificar situações de sofrimento emocional e oferecer o suporte necessário. Familiares e amigos também podem contribuir ao perceber mudanças de comportamento e incentivar a busca por atendimento.

Como parte das ações de conscientização, a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás programou para o dia 17 de novembro o Dia D do Novembro Azul, com atividades educativas em unidades estaduais. A mobilização também envolve municípios e regionais de saúde, que deverão desenvolver iniciativas voltadas à prevenção ao longo do mês.

As Unidades Básicas de Saúde oferecem gratuitamente consultas, vacinação, testes rápidos para infecções sexualmente transmissíveis e acompanhamento de doenças crônicas. Também disponibilizam orientações sobre saúde mental, tabagismo e câncer de próstata, conforme as necessidades de cada paciente.

A superintendente de Políticas de Atenção Integral à Saúde da Secretaria de Estado da Saúde, Lígia Duarte, defende que os municípios avaliem alternativas para facilitar o acesso dos homens aos serviços, incluindo a possibilidade de ampliar os horários de funcionamento das unidades e oferecer atendimentos aos sábados.

A proposta busca atender principalmente os trabalhadores que encontram dificuldades para comparecer às consultas durante a semana. Com horários mais acessíveis, a expectativa é ampliar a participação masculina nas ações preventivas e reduzir os casos de doenças identificadas somente em estágios avançados.

Os dados registrados em Goiás demonstram que cuidar da saúde precisa fazer parte da rotina dos homens, independentemente da idade ou da presença de sintomas. A prevenção de acidentes, o controle das doenças crônicas e a atenção à saúde mental são medidas fundamentais para reduzir a mortalidade e melhorar a qualidade de vida.

O alerta das autoridades é para que os homens deixem de procurar atendimento somente quando enfrentam algum problema e passem a encarar a prevenção como uma prioridade. Afinal, consultas regulares, mudanças de hábitos e atitudes responsáveis no trânsito podem fazer a diferença entre a vida e a morte.

Ana Carolina