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Governo Lula classifica 27 minerais estratégicos em três níveis de prioridade

Governo Lula classifica 27 minerais estratégicos em três níveis de prioridade

O governo federal estabeleceu novas regras para a exploração e o desenvolvimento dos minerais considerados críticos e estratégicos para o Brasil. Um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, criou três níveis de prioridade para organizar esses recursos naturais e orientar a atuação do poder público no setor mineral.

A medida faz parte da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e busca fortalecer a participação brasileira em um mercado considerado cada vez mais importante para a economia mundial. A iniciativa também pretende estimular investimentos, ampliar a capacidade de processamento dentro do país e reduzir a dependência de fornecedores internacionais.

A nova classificação contempla 27 minerais, distribuídos em três categorias: prioridade alta, média e baixa. A divisão permitirá que o governo identifique quais recursos precisam de maior atenção, quais necessitam de investimentos para fortalecer a cadeia produtiva nacional e quais devem permanecer sob acompanhamento estratégico.

A definição aconteceu durante a primeira reunião do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), realizada no Palácio do Planalto, em Brasília, no dia 5 de novembro. O colegiado terá papel importante na coordenação das políticas públicas voltadas ao setor e na definição das prioridades para o desenvolvimento da mineração brasileira.

Entre os minerais classificados na categoria de maior prioridade estão terras raras, grafita, lítio, níquel, cobalto, cobre, manganês, silício e urânio. Esses materiais possuem grande importância para diferentes segmentos industriais e tecnológicos, especialmente aqueles relacionados à transição energética, à fabricação de baterias, aos veículos elétricos, aos equipamentos eletrônicos e à produção de componentes utilizados em setores estratégicos.

A Classe 1 reúne os minerais considerados mais sensíveis para os interesses nacionais. São substâncias que apresentam riscos de abastecimento, dependência de fornecedores estrangeiros ou dificuldades relacionadas à concentração da produção mundial em poucos países. Por esse motivo, o governo pretende direcionar maior atenção a esses recursos, buscando desenvolver alternativas para garantir o fornecimento e ampliar a capacidade industrial brasileira.

Na segunda categoria, chamada de Classe 2, estão minerais como tungstênio, cromo, vanádio, tântalo, titânio, fosfato, potássio e enxofre. Esses recursos apresentam importância econômica e industrial, mas precisam de medidas para fortalecer suas cadeias produtivas, diminuir vulnerabilidades e reduzir a dependência de importações.

Já a Classe 3 reúne minerais como nióbio, estanho, minério de ferro, zinco, ouro, magnésio, molibdênio, tório, alumínio e metais do grupo da platina. A classificação nessa categoria não significa que esses materiais sejam pouco importantes para a economia. O enquadramento considera principalmente a posição que o Brasil já ocupa na produção e no abastecimento desses recursos, além do nível de vulnerabilidade diante de possíveis crises internacionais.

Um dos principais objetivos da nova política é fazer com que o Brasil deixe de atuar predominantemente como fornecedor de matérias-primas e avance na industrialização desses recursos. A intenção é estimular a instalação de empresas responsáveis pelo beneficiamento, processamento e transformação dos minerais em produtos de maior valor agregado.

Atualmente, diversos minerais encontrados no território brasileiro são utilizados em cadeias produtivas internacionais, especialmente na fabricação de tecnologias modernas. O lítio, por exemplo, é uma matéria-prima importante para baterias utilizadas em veículos elétricos e equipamentos eletrônicos. As terras raras são fundamentais para a fabricação de ímãs especiais, motores, turbinas eólicas e diferentes componentes tecnológicos. Já o cobre possui ampla utilização na indústria elétrica, na construção de equipamentos e na infraestrutura energética.

Com a nova organização, o governo pretende criar condições para atrair empresas interessadas em investir no setor, além de estimular parcerias internacionais que permitam ampliar a produção e o processamento desses materiais dentro do Brasil.

Outro ponto importante envolve os critérios utilizados para definir quais minerais receberão maior atenção. A avaliação considera fatores como riscos geopolíticos, concentração da oferta mundial, possibilidade de substituição por outros materiais, participação brasileira nas diferentes etapas da cadeia produtiva e dependência de fornecedores estrangeiros.

Também serão observadas questões ambientais e climáticas, incluindo disponibilidade de água nas regiões de exploração, impactos provocados pela atividade mineradora, exposição a eventos climáticos extremos e possibilidades de reciclagem e reaproveitamento de materiais.

A inclusão de um mineral nas categorias de prioridade, entretanto, não garante automaticamente benefícios fiscais, financiamentos ou autorização para novos empreendimentos. A classificação servirá como referência para orientar as políticas públicas e as decisões relacionadas ao desenvolvimento do setor, respeitando as demais exigências legais e ambientais.

O novo conselho também terá participação na avaliação de determinadas operações empresariais envolvendo o setor mineral. Entre suas atribuições está a análise de mudanças de controle societário e operações relacionadas à transferência de ativos considerados estratégicos. A proposta é permitir que o governo acompanhe negócios que possam ter impacto sobre os interesses nacionais e a disponibilidade de recursos minerais importantes para o país.

A possibilidade de análise dessas operações também desperta atenção de empresas e investidores estrangeiros, que acompanham as novas regras para entender como funcionará a participação do Estado nos negócios envolvendo mineradoras brasileiras.

Durante a reunião, Lula afirmou que o Brasil precisa estar preparado para receber investimentos e construir parcerias com outros países. O presidente também destacou a importância de manter condições econômicas e jurídicas adequadas para atrair empresas interessadas em desenvolver projetos no território nacional.

A proposta do governo é conciliar a entrada de capital estrangeiro com o fortalecimento da indústria brasileira, buscando evitar que o país fique limitado à extração e exportação de recursos naturais sem desenvolver etapas mais avançadas da produção.

A classificação dos minerais deverá passar por revisões periódicas. A previsão é que a lista seja atualizada a cada quatro anos, permitindo que o governo acompanhe mudanças no mercado internacional, novas tecnologias, alterações na oferta mundial e possíveis transformações nas necessidades da indústria brasileira.

A decisão representa um passo importante na estratégia de posicionar o Brasil como um dos principais participantes do mercado internacional de minerais críticos. O país possui reservas relevantes de matérias-primas utilizadas em setores que devem ganhar ainda mais importância nos próximos anos, principalmente com o crescimento da produção de veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, sistemas de armazenamento de energia e tecnologias de geração renovável.

Com a criação dos três níveis de prioridade, o governo pretende direcionar melhor os investimentos, reduzir vulnerabilidades no abastecimento e ampliar a capacidade nacional de transformar recursos naturais em produtos industrializados.

O desafio, a partir de agora, será transformar as novas regras em resultados concretos, garantindo segurança jurídica para os investidores, responsabilidade ambiental e oportunidades de desenvolvimento econômico. A forma como o conselho utilizará suas atribuições e conduzirá a política mineral será determinante para o futuro desse setor no Brasil.

Ana Carolina