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Alerta para quem usa ou pretende usar canetas emagrecedoras

Alerta para quem usa ou pretende usar canetas emagrecedoras

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez um alerta sobre os riscos associados à comercialização de versões em pó de medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”. Produtos desse tipo estão sendo divulgados na internet acompanhados de orientações para que o próprio consumidor faça a diluição do material e depois aplique a substância por meio de injeção.

Segundo a agência, essa prática pode representar um risco importante à saúde, principalmente pela possibilidade de contaminação do produto. Como se trata de uma substância que será introduzida diretamente no organismo por meio de uma injeção, qualquer falha no processo de fabricação, armazenamento, preparo ou aplicação pode permitir a presença de bactérias, fungos ou outros microrganismos.

A preocupação aumentou diante da oferta de versões em pó de tirzepatida, princípio ativo utilizado em medicamentos como o Mounjaro. De acordo com o alerta, não é possível garantir que os produtos comercializados irregularmente contenham realmente o princípio ativo anunciado, nem que tenham sido produzidos dentro dos padrões necessários de qualidade e segurança.

O problema também está relacionado às instruções encontradas na internet para o preparo desses produtos. Em alguns casos, os consumidores recebem orientações para misturar ou diluir o pó em casa antes de realizar a aplicação. Para medicamentos injetáveis, entretanto, o processo de preparação exige condições específicas de esterilidade e controle de qualidade, justamente para evitar que microrganismos sejam introduzidos no organismo.

Quando um produto contaminado é aplicado por injeção, a infecção pode começar no local da aplicação. Entre os sinais que podem aparecer estão dor, vermelhidão, inchaço e formação de abscessos. Dependendo da gravidade, a infecção pode ultrapassar o local inicial e atingir a corrente sanguínea.

Uma das consequências mais graves de uma infecção disseminada é a sepse, uma resposta extrema do organismo a uma infecção que pode evoluir rapidamente e exigir atendimento médico e internação. Em situações graves, o quadro pode provocar falência de órgãos e até levar à morte.

Por isso, a Anvisa reforça que medicamentos injetáveis precisam ser produzidos e preparados em condições adequadas, com controle rigoroso de esterilidade. Uma embalagem fechada ou lacrada, por si só, não é suficiente para garantir que um produto seja seguro. É necessário que toda a cadeia, desde a origem da matéria-prima até a fabricação, armazenamento e distribuição, esteja submetida aos controles sanitários exigidos.

A agência também chama atenção para a diferença entre medicamentos registrados e produtos comercializados de forma irregular. As principais canetas emagrecedoras disponíveis legalmente no Brasil utilizam substâncias como semaglutida ou tirzepatida e passam por avaliação regulatória antes de serem autorizadas. A análise considera aspectos relacionados à qualidade, segurança e eficácia dos medicamentos.

Existem situações em que farmácias de manipulação podem trabalhar com determinados medicamentos e substâncias, desde que sejam respeitadas as regras sanitárias e exista prescrição médica quando exigida. Isso, porém, não significa que qualquer produto vendido pela internet ou qualquer versão em pó anunciada como medicamento seja autorizada ou segura.

A própria Anvisa vem adotando medidas contra produtos sem registro e de origem desconhecida. Em abril de 2026, por exemplo, a agência determinou a apreensão e proibiu a comercialização, distribuição, importação e uso de determinados produtos divulgados como canetas emagrecedoras, justamente porque não possuíam registro, notificação ou cadastro na Anvisa.

Mais recentemente, em setembro, a agência também proibiu a importação, armazenamento, distribuição, comercialização, propaganda e uso da caneta T36, por não possuir registro sanitário no Brasil. A Anvisa também informou que produtos anunciados por determinados sites não poderiam ser comercializados no país, reforçando que medicamentos devem ser adquiridos por meio de estabelecimentos e canais autorizados.

O alerta sobre os produtos em pó ocorre, portanto, dentro de um cenário mais amplo de preocupação das autoridades sanitárias com a circulação de medicamentos para emagrecimento fora dos canais regulares. A popularização das chamadas canetas emagrecedoras aumentou a procura por esses medicamentos e, consequentemente, também chamou a atenção para ofertas irregulares na internet.

Outro ponto levantado pela Anvisa é a dificuldade de saber exatamente o que existe dentro de um produto adquirido fora dos canais oficiais. Quando a origem é desconhecida, não há garantia de que a substância tenha a concentração anunciada, de que esteja livre de contaminantes ou de que tenha sido armazenada adequadamente.

Essa preocupação é ainda maior quando o produto precisa ser injetado. Diferentemente de medicamentos administrados por outras vias, os produtos injetáveis precisam atender a exigências rigorosas relacionadas à esterilidade, porque qualquer contaminação pode ser levada diretamente para o organismo.

A Anvisa também identificou anúncios relacionados ao CBL-514, um peptídeo sintético que ainda está em fase de estudos clínicos. De acordo com a agência, produtos experimentais e sem registro não possuem a mesma avaliação regulatória dos medicamentos autorizados para comercialização. Por isso, não há garantia de que os possíveis benefícios superem os riscos para quem utiliza essas substâncias por conta própria.

O alerta reforça uma orientação importante para quem busca medicamentos para emagrecimento: não é seguro comprar produtos de origem desconhecida pela internet, seguir instruções de preparo encontradas em redes sociais ou realizar aplicações sem orientação de profissionais habilitados.

Os medicamentos utilizados para controle de peso e tratamento de doenças devem ser utilizados conforme as indicações aprovadas e com acompanhamento profissional. A Anvisa já havia alertado, em fevereiro deste ano, sobre riscos relacionados ao uso inadequado de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, classe que inclui substâncias como semaglutida e tirzepatida. A agência destacou que esses medicamentos devem ser utilizados de acordo com as indicações aprovadas e sob acompanhamento de profissional habilitado.

O uso irregular pode aumentar a possibilidade de eventos adversos e dificultar a identificação de complicações. Por isso, a orientação é que qualquer pessoa que esteja utilizando um medicamento desse tipo procure orientação médica antes de iniciar, interromper ou modificar o tratamento.

A preocupação com produtos clandestinos não se limita ao princípio ativo. Mesmo que o produto contenha a substância anunciada no rótulo, ainda existem riscos relacionados à concentração, à pureza, à esterilidade, à conservação e à forma como o medicamento foi preparado.

Em uma nota técnica conjunta divulgada anteriormente, Anvisa e Polícia Federal também apontaram problemas encontrados em fiscalizações relacionadas a produtos irregulares. Entre os achados estavam falhas de esterilidade, problemas de controle de qualidade, uso de insumos de origem desconhecida e deficiências nas condições de armazenamento e transporte.

As autoridades também identificaram situações em que a produção ocorria em escala incompatível com a ideia de manipulação individualizada prevista nas regras sanitárias. Esses elementos reforçam a preocupação com a transformação de medicamentos para emagrecimento em produtos comercializados em grande escala sem os controles exigidos para medicamentos registrados.

Para o consumidor, a principal recomendação é desconfiar de ofertas que prometem medicamentos para emagrecimento a preços muito abaixo dos praticados no mercado ou que oferecem produtos em pó acompanhados de instruções para preparação caseira. Também é importante verificar se o medicamento possui registro e se está sendo adquirido por um canal autorizado.

A busca por emagrecimento rápido pode levar algumas pessoas a recorrerem a produtos vendidos de maneira irregular, mas os riscos podem ser muito maiores do que os apresentados nos anúncios. Sem garantia de procedência e qualidade, o consumidor não sabe exatamente o que está colocando no próprio organismo.

A Anvisa reforça que medicamentos sem registro não tiveram sua segurança, qualidade e eficácia avaliadas pela agência para comercialização no Brasil. Por isso, produtos adquiridos fora dos canais autorizados podem representar um risco que não existe da mesma maneira quando se utiliza um medicamento devidamente registrado e prescrito conforme as indicações aprovadas.

O alerta serve principalmente como orientação para que os consumidores não tentem preparar ou aplicar por conta própria substâncias comercializadas em pó como se fossem versões equivalentes às canetas emagrecedoras autorizadas. A preparação de medicamentos injetáveis exige condições adequadas e controle rigoroso, algo que não pode ser garantido em um ambiente doméstico.

Diante da popularização desses produtos, a recomendação é que qualquer tratamento para emagrecimento seja discutido com um profissional de saúde. Além de avaliar se o medicamento é apropriado para cada paciente, o acompanhamento permite identificar possíveis efeitos adversos e tomar medidas diante de sintomas inesperados.

A circulação de versões ilegais ou sem registro também mostra a importância de verificar a procedência antes de comprar qualquer medicamento. A existência de anúncios na internet não significa que o produto seja autorizado pelas autoridades sanitárias ou que tenha sido submetido aos estudos e controles necessários.

O alerta da Anvisa, portanto, não se refere apenas ao risco de um medicamento não funcionar. O problema pode envolver consequências mais graves, especialmente quando uma substância desconhecida ou contaminada é aplicada diretamente no organismo.

Por isso, consumidores que encontrarem produtos suspeitos podem procurar os canais oficiais da Anvisa ou a Vigilância Sanitária de sua região para comunicar a situação. A fiscalização e a comunicação de produtos irregulares ajudam as autoridades a identificar novas formas de comercialização clandestina e a reduzir os riscos para a população.

A orientação central permanece: medicamentos injetáveis devem ter procedência conhecida, registro ou autorização sanitária quando exigidos e utilização de acordo com orientação profissional. Produtos em pó vendidos de forma irregular e acompanhados de instruções para preparo caseiro não oferecem as mesmas garantias de qualidade, segurança e eficácia de medicamentos devidamente avaliados e autorizados.

Ana Carolina