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Eduardo Bolsonaro é demitido da PF

Eduardo Bolsonaro foi demitido nesta segunda-feira (21) do cargo de escrivão da Polícia Federal. A decisão foi formalizada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública após um processo administrativo relacionado às faltas consideradas injustificadas.

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro foi demitido da Polícia Federal nesta segunda-feira (21), após um processo administrativo relacionado à ausência no cargo de escrivão da corporação. A decisão foi formalizada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e encerra o vínculo funcional do ex-parlamentar com a Polícia Federal.

Eduardo Bolsonaro é servidor concursado da instituição desde 2010. Durante o período em que exerceu mandato na Câmara dos Deputados, ficou afastado das atividades policiais para desempenhar suas funções parlamentares. Após deixar o cargo de deputado, porém, deveria retornar à Polícia Federal, o que não ocorreu.

De acordo com informações divulgadas pela CNN Brasil, o ex-deputado está nos Estados Unidos desde 2025. A permanência no exterior e a ausência do serviço público deram origem a um procedimento administrativo disciplinar dentro da Polícia Federal. O processo analisou as faltas consideradas injustificadas e a situação funcional de Eduardo.

A corporação havia determinado anteriormente que ele retornasse ao Brasil para reassumir o cargo de escrivão. Em janeiro de 2026, a Polícia Federal comunicou que o ex-deputado deveria se reapresentar para voltar às atividades. Na ocasião, a instituição também indicou que a ausência poderia resultar em medidas administrativas e disciplinares.

Como o retorno não ocorreu, o caso avançou para a esfera disciplinar. Em março, a Polícia Federal publicou edital estabelecendo prazo para que Eduardo apresentasse sua defesa no procedimento que investigava o possível abandono do cargo. Segundo a publicação, ele estava nos Estados Unidos e era considerado em local incerto e não sabido para fins do processo administrativo.

A situação funcional de Eduardo também passou a ser analisada em um contexto mais amplo. A Polícia Federal concluiu o processo administrativo e encaminhou o resultado para a autoridade responsável pela decisão final sobre o desligamento. Em julho, a CNN havia informado que a corporação tinha concluído o procedimento e solicitado a demissão do ex-deputado.

A formalização da demissão ocorre meses depois da perda do mandato parlamentar. Eduardo Bolsonaro deixou de exercer o cargo de deputado federal após acumular faltas às sessões da Câmara. Segundo informações divulgadas pela CNN, foram registradas 59 ausências não justificadas em sessões deliberativas do plenário durante aproximadamente dez meses.

Com a perda do mandato, Eduardo deveria voltar à função que ocupava na Polícia Federal. O cargo de escrivão havia sido exercido por ele antes da entrada na vida parlamentar. Ele ingressou na corporação em 2010 e permaneceu na função até 2015, quando foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro.

A situação envolvendo o ex-deputado também foi acompanhada por outras medidas administrativas. Em fevereiro de 2026, a Corregedoria Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro havia determinado o afastamento preventivo de Eduardo do cargo enquanto o procedimento disciplinar seguia em andamento.

O processo administrativo não se restringiu apenas à questão da ausência física no trabalho. Conforme informações divulgadas anteriormente pela CNN, a investigação também considerou publicações feitas por Eduardo nas redes sociais e manifestações relacionadas a autoridades brasileiras. A Polícia Federal avaliou se determinados comportamentos poderiam caracterizar transgressões disciplinares e outras violações relacionadas ao exercício da função pública.

Em março, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou o compartilhamento com a Polícia Federal de provas reunidas em uma investigação envolvendo Eduardo. O material poderia ser utilizado como elemento no processo administrativo instaurado pela corporação.

A investigação mencionada pela CNN estava relacionada a manifestações públicas de Eduardo Bolsonaro e à sua atuação junto a autoridades dos Estados Unidos. Segundo informações publicadas pela emissora, a Procuradoria-Geral da República havia apontado possíveis condutas que poderiam ser enquadradas em crimes, enquanto a defesa do ex-deputado contesta as acusações e apresenta sua própria interpretação sobre os fatos.

A demissão da Polícia Federal ocorre, portanto, em um momento de diversas disputas jurídicas e políticas envolvendo Eduardo Bolsonaro. Além do processo administrativo que resultou na perda do cargo de servidor, o ex-deputado também foi alvo de decisões judiciais relacionadas à sua atuação política e às manifestações feitas enquanto estava nos Estados Unidos.

Em junho de 2026, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. Na mesma decisão, o colegiado determinou a perda do cargo efetivo que ele mantinha na Polícia Federal. A decisão também estabeleceu outras consequências jurídicas, embora ainda houvesse possibilidade de apresentação de recursos.

A formalização administrativa anunciada nesta segunda-feira representa, assim, mais uma etapa na trajetória de Eduardo Bolsonaro fora do serviço público. O ex-deputado deixa definitivamente os quadros da Polícia Federal depois de mais de uma década desde seu ingresso na instituição.

O caso chama atenção também porque Eduardo Bolsonaro passou de servidor da Polícia Federal a deputado federal e, posteriormente, voltou a estar vinculado à corporação após o encerramento de seu mandato parlamentar. A necessidade de reassumir o cargo público acabou levando à abertura de um procedimento disciplinar diante da ausência e da permanência do ex-deputado no exterior.

A decisão do Ministério da Justiça encerra o processo administrativo que vinha sendo acompanhado pela Polícia Federal desde o início do ano. O episódio envolve, ao mesmo tempo, questões funcionais relacionadas ao serviço público e um contexto político e judicial mais amplo que envolve o ex-deputado.

Com a demissão, Eduardo Bolsonaro deixa de integrar oficialmente o quadro de servidores da Polícia Federal. A decisão marca uma nova etapa na situação funcional do ex-parlamentar, que desde 2025 permanece nos Estados Unidos e vem participando de articulações políticas e manifestações públicas relacionadas ao cenário brasileiro.

O caso ainda poderá ter novos desdobramentos na esfera judicial, especialmente em razão das decisões e processos que envolvem o ex-deputado. A defesa de Eduardo tem contestado medidas adotadas contra ele e apresentado sua versão sobre as acusações e decisões que o atingem.

A demissão anunciada nesta segunda-feira encerra, no âmbito administrativo, o vínculo de Eduardo Bolsonaro com a Polícia Federal e coloca fim à possibilidade de retorno ao cargo de escrivão que ele ocupava antes de ingressar na carreira política.

Ana Carolina