O percentual de famílias brasileiras endividadas apresentou uma leve redução em setembro de 2026, segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Apesar do recuo, o cenário financeiro ainda exige atenção, principalmente diante das dificuldades enfrentadas por parte dos consumidores para manter as contas em dia.
De acordo com o levantamento, o índice de famílias com algum tipo de dívida passou de 82% em agosto para 81,7% em setembro. Essa foi a primeira queda registrada em 2026, após uma sequência de aumentos ao longo do ano. Embora o resultado indique uma pequena melhora, o percentual continua elevado e demonstra que o endividamento permanece presente no orçamento da maioria das famílias brasileiras.
A pesquisa considera compromissos financeiros como cartão de crédito, cheque especial, carnês, empréstimos e financiamentos. É importante destacar que estar endividado não significa necessariamente estar inadimplente, já que muitos consumidores conseguem pagar suas parcelas dentro dos prazos estabelecidos.
Outro dado positivo foi a redução da inadimplência. Em setembro, o percentual de famílias com contas em atraso caiu para 29,6%, uma diminuição de 0,3 ponto percentual em relação ao mês anterior. Esse foi o menor resultado registrado desde março, indicando um pequeno alívio para parte dos consumidores.
Já a parcela de famílias que afirmaram não ter condições de pagar as dívidas atrasadas permaneceu em 12,5%. A estabilidade interrompeu uma sequência de dois meses consecutivos de crescimento desse indicador, mas também mostra que uma parte da população continua enfrentando dificuldades para reorganizar as finanças.
Apesar da redução dos índices gerais, um dado chama a atenção: o tempo médio de atraso das dívidas aumentou pelo segundo mês consecutivo e chegou a 65,3 dias em setembro. Esse foi o maior período médio desde novembro de 2024, quando o indicador alcançou 65,5 dias.
A pesquisa também apontou que 48,9% das dívidas em atraso estavam vencidas havia mais de 90 dias. O resultado evidencia que, mesmo com a diminuição do percentual de famílias inadimplentes, muitos consumidores ainda enfrentam dificuldades para regularizar compromissos financeiros acumulados.
Na prática, esse cenário demonstra que a melhora nos indicadores não representa necessariamente uma recuperação completa das finanças domésticas. Para diversas famílias, o desafio continua sendo renegociar débitos, reorganizar as despesas e encontrar condições para quitar as contas sem comprometer ainda mais a renda mensal.
O levantamento também identificou uma pequena mudança na percepção dos brasileiros sobre a própria situação financeira. Em setembro, o percentual de famílias que se consideravam muito endividadas recuou para 17,3%. Por outro lado, a parcela de consumidores que declarou não possuir dívidas subiu para 18,1%.
Esses números indicam uma mudança favorável na composição do endividamento, mas precisam ser analisados com cautela. A percepção sobre o peso das dívidas varia de acordo com a renda, os gastos mensais e a capacidade de pagamento de cada família. Por isso, a redução do grupo que se considera muito endividado não significa que todos os consumidores estejam em uma situação financeira confortável.
O custo do crédito também continua sendo um fator importante para o orçamento das famílias brasileiras. Quando as taxas de juros estão elevadas, empréstimos e financiamentos ficam mais caros, dificultando tanto a contratação de novos recursos quanto a renegociação de dívidas existentes.
Segundo a avaliação da CNC, a redução gradual da taxa básica de juros pode contribuir para uma melhora progressiva dos indicadores. Entretanto, o custo do crédito ainda representa um desafio para muitos consumidores, especialmente aqueles que já comprometem uma parcela significativa da renda com pagamentos e prestações.
As iniciativas de renegociação de dívidas também podem ajudar parte da população a recuperar o equilíbrio financeiro. No entanto, os efeitos dessas medidas precisam ser acompanhados ao longo dos próximos meses para verificar se a redução do endividamento e da inadimplência terá continuidade.
Diante desse cenário, o planejamento financeiro continua sendo uma ferramenta importante para evitar o acúmulo de compromissos. Acompanhar os vencimentos, avaliar as condições de cada financiamento e priorizar o pagamento das dívidas com juros mais elevados são algumas medidas que podem ajudar os consumidores a organizar o orçamento.
O resultado de setembro representa um sinal positivo para a economia brasileira, mas ainda não permite afirmar que as dificuldades financeiras das famílias estejam superadas. Com 81,7% dos lares endividados, o país continua diante de um cenário que exige atenção, principalmente em relação à capacidade de pagamento dos consumidores e ao tempo necessário para regularizar as contas atrasadas.
Os próximos levantamentos da CNC serão importantes para verificar se a redução registrada em setembro representa uma tendência consistente. Até lá, os dados mostram uma melhora moderada, acompanhada de desafios que continuam afetando o orçamento de milhões de brasileiros.





