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EUA exigiram “dissidentes” na eleição de 2026 para negociar tarifaço

EUA exigiram "dissidentes" na eleição de 2026 para negociar tarifaço

Uma revelação explosiva veio a público nesta quinta-feira (17) e expôs uma tentativa de interferência direta dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. De acordo com a CNN Brasil e o jornal O Estado de S.Paulo, o governo de Donald Trump enviou ao Brasil, em outubro de 2025, uma lista com 21 exigências para negociar o fim do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, e uma delas era a garantia de participação de “dissidentes políticos” na disputa presidencial.

A minuta foi apresentada durante uma missão oficial do Itamaraty em Washington, liderada pelo chanceler Mauro Vieira, que tentava reverter as tarifas impostas por Trump no início de seu segundo mandato.Além da exigência eleitoral, o documento americano pedia que companhias aéreas brasileiras fossem obrigadas a comprar aviões da Boeing e que empresas dos EUA tivessem direito de preferência na compra de jazidas de minerais críticos no Brasil, como lítio e nióbio.Fontes do Itamaraty ouvidas pela Globo confirmaram a existência do documento, mas afirmaram que o governo brasileiro considerou o texto repleto de “absurdos” e rejeitou imediatamente a inclusão da cláusula sobre as eleições. Segundo a diplomacia brasileira, o pedido sequer chegou aos níveis mais altos, como Mauro Vieira, o secretário de Estado Marco Rubio ou os presidentes Lula e Trump. Ficou restrito ao nível técnico e não entrou no comunicado oficial após as reuniões.

O ponto mais sensível é que o documento americano não citava nomes. Não aparecia o nome de Jair Bolsonaro ou de qualquer outro político. Mas a interpretação de integrantes do governo brasileiro é clara: o pedido foi feito logo após a condenação de Bolsonaro pelo STF por trama golpista, e a exigência de “dissidentes” seria uma forma velada de exigir a liberação da candidatura de Bolsonaro ou de seus aliados, que estão inelegíveis.O caso se soma a outras interferências recentes. Na semana passada, o Planalto negou visto a dois funcionários do Departamento de Estado que viriam ao Brasil para, segundo o governo, “colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro”.O Planalto classificou a situação como “uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas” e disse que ficou “óbvio o interesse descabido de interferir na próxima eleição”. O governo Trump, até agora, não se manifestou sobre a revelação.

Ana Carolina