O governo federal anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de cerca de 15% no Bolsa Família, a menos de 20 dias das eleições presidenciais de 4 de outubro. Com o aumento, segundo informou o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, em anúncio ao lado do presidente Lula. A medida foi oficializada por decreto presidencial e não precisa passar pelo Congresso.
O piso de R$ 600 havia sido criado em 2022, quando o Auxílio Brasil substituiu o Bolsa Família durante a pandemia. Quando Lula voltou ao Palácio do Planalto em 2023, o programa voltou a se chamar Bolsa Família, mas o valor nunca tinha sido reajustado até agora, completando quase 3 anos sem correção pela inflação.Segundo o ministro, o reajuste é uma recomposição da inflação acumulada no período. “Do ponto de vista fiscal, é importante que a gente lembre que isso está sendo feito dentro das regras”, afirmou Moretti. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, completou: “A gente está fazendo isso de uma maneira muito responsável e muito diferente do que já se viu no país em outros tempos. Não tem solavanco, não tem mudança de rumo”.
A equipe econômica disse que o Orçamento de 2027 já será ajustado para acomodar o aumento dentro do arcabouço fiscal, sem alterar a meta de superávit.O programa é a segunda maior despesa da União, atrás apenas da Previdência, e atende atualmente 18,7 milhões de famílias. O governo não detalhou ainda a data exata de início do pagamento com o novo valor, mas confirmou que já vale a partir da folha de outubro.A medida tem forte efeito eleitoral. Anunciada a poucos dias da eleição, onde Lula tenta a reeleição contra Flávio Bolsonaro, o aumento atinge diretamente a base mais fiel do presidente no Nordeste. A oposição já critica o momento do anúncio, mas o governo defende que era uma promessa de campanha antiga e que está prevista em lei.





