A reta final do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 é marcada por uma disputa intensa pelo voto dos eleitores nordestinos. O senador Flávio Bolsonaro (PL) intensificou as ações de campanha na região com o objetivo de diminuir a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que continua apresentando maior apoio entre os eleitores dos nove estados nordestinos.
A estratégia da campanha de Flávio envolve viagens, eventos públicos, mobilização de lideranças políticas e ampliação da presença nas redes sociais. A intenção é conquistar novos eleitores e reduzir a diferença de votos em uma região considerada decisiva para o resultado nacional da disputa.
De acordo com reportagem publicada pelo Metrópoles em 22 de outubro, o trabalho foi dividido entre o próprio candidato e aliados que possuem capacidade de mobilizar apoiadores mesmo quando ele está cumprindo outros compromissos eleitorais. A atuação simultânea busca ampliar o alcance da campanha nos últimos dias antes da votação.
O movimento ocorre em um cenário no qual Lula mantém uma vantagem expressiva no Nordeste, mas Flávio conseguiu ampliar sua votação regional em comparação com o desempenho de Jair Bolsonaro no primeiro turno de 2022. Esse crescimento é considerado um dos fatores que motivam a campanha do senador a intensificar os esforços na região.
Flávio Bolsonaro participou de compromissos eleitorais em Fortaleza, no Ceará, enquanto aliados percorreram outras capitais nordestinas para promover atos de campanha e conversar com eleitores.
Entre os nomes envolvidos está o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que realizou atividades em cidades como Salvador, Teresina e Aracaju. A programação também previa mobilizações no Recife e em Fortaleza, com a participação de parlamentares e lideranças locais.
Os eventos, chamados de “Bloquinho do 22”, utilizam trios elétricos e concentrações de apoiadores para ampliar a presença da candidatura nas ruas. A iniciativa procura manter a mobilização política nos estados nordestinos enquanto o candidato divide sua agenda entre viagens, entrevistas e preparação para o debate presidencial da TV Globo.
A campanha aposta na força dos apoiadores locais para alcançar eleitores que ainda não decidiram o voto ou que podem mudar de preferência antes do encerramento da disputa.
Além das atividades presenciais, a estratégia inclui publicações nas redes sociais, vídeos com relatos de eleitores e conteúdos voltados a questionar os resultados das políticas públicas implementadas pelo governo Lula.
O objetivo é apresentar argumentos capazes de convencer parte do eleitorado de que uma mudança de governo poderá produzir resultados diferentes para a economia e para a vida cotidiana da população.
Apesar da intensificação das atividades de Flávio, os levantamentos eleitorais continuam indicando uma vantagem significativa de Lula no Nordeste.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada em 21 de outubro apontou que o presidente tinha 61% das intenções de voto na região, enquanto Flávio Bolsonaro registrava 31%.
No cenário nacional, a mesma pesquisa indicou 45% para Flávio e 44% para Lula, resultado que configurava empate técnico considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.
Os números demonstram a importância estratégica do Nordeste para os dois candidatos. Enquanto Flávio procura diminuir a diferença regional, Lula busca preservar sua vantagem em uma área que historicamente representa uma de suas principais bases eleitorais.
O desafio para o senador é transformar o crescimento registrado na região em votos adicionais suficientes para melhorar seu desempenho nacional. Já para o presidente, a prioridade é evitar perdas significativas em estados nos quais mantém maior apoio.
A disputa também envolve a capacidade das campanhas de mobilizar eleitores que votaram em branco ou nulo, ainda estão indecisos ou não compareceram às urnas no primeiro turno.
Um dos argumentos utilizados para justificar a intensificação da campanha nordestina é o crescimento da votação de Flávio em comparação com o resultado obtido por seu pai, Jair Bolsonaro, nas eleições de 2022.
No primeiro turno de 2026, Flávio recebeu aproximadamente 10,4 milhões de votos no Nordeste, enquanto Lula conquistou cerca de 21,5 milhões na região.
Na comparação com a votação de Jair Bolsonaro no primeiro turno de 2022, o senador acrescentou aproximadamente 1,6 milhão de votos ao desempenho da família Bolsonaro no Nordeste, um crescimento de cerca de 18,3%.
Mesmo com esse avanço, Lula venceu nos nove estados nordestinos no primeiro turno de 2026 e manteve uma diferença superior a 11 milhões de votos na região.
Os dados indicam que Flávio ampliou seu espaço eleitoral, mas ainda enfrenta dificuldades para superar a vantagem petista. Por isso, a campanha procura aproveitar os últimos dias antes da votação para conquistar novos apoiadores e reduzir a distância entre os candidatos.
A Bahia e o Ceará ganharam importância especial na estratégia de Flávio porque concentraram uma parcela significativa do crescimento de sua votação em comparação com o desempenho de Jair Bolsonaro em 2022.
Na Bahia, o senador obteve aproximadamente 395 mil votos a mais do que seu pai havia recebido no primeiro turno da eleição anterior. No Ceará, o acréscimo foi de cerca de 379 mil votos.
Esses resultados ajudam a explicar a presença de aliados e parlamentares nessas localidades durante a reta final da campanha.
A estratégia busca fortalecer a candidatura em estados com grandes contingentes eleitorais, onde pequenas mudanças na distribuição dos votos podem produzir efeitos importantes na contagem nacional.
Ao mesmo tempo, a campanha precisa manter a mobilização em outras regiões brasileiras, especialmente no Sudeste, que reúne alguns dos maiores colégios eleitorais do país.
Dessa forma, o planejamento eleitoral tenta equilibrar a presença do candidato em diferentes estados com a atuação de aliados capazes de realizar eventos e divulgar mensagens em seu nome.
Além dos eventos presenciais, a campanha de Flávio aposta na comunicação digital para alcançar eleitores nordestinos.
Nikolas Ferreira tem utilizado vídeos e publicações que apresentam relatos sobre dificuldades financeiras, insatisfação com serviços públicos e frustrações com promessas atribuídas ao governo petista.
Um dos vídeos divulgados pelo parlamentar alcançou, segundo dados mencionados na reportagem, aproximadamente 155 milhões de visualizações até a tarde de 21 de outubro.
O conteúdo integra uma estratégia para ampliar a circulação de mensagens políticas e estimular apoiadores a compartilhar materiais com familiares, amigos e outros usuários das redes sociais.
A campanha também utiliza canais de comunicação, incluindo o WhatsApp, para divulgar depoimentos e orientar apoiadores sobre a distribuição dos conteúdos.
O uso dessas ferramentas ganhou relevância porque permite que as mensagens circulem rapidamente e alcancem pessoas que não participam diretamente de comícios ou eventos políticos.
No entanto, o alcance de uma publicação não corresponde necessariamente ao número de eleitores convencidos por ela. A influência efetiva desse tipo de comunicação dependerá da recepção do público e de sua capacidade de modificar intenções de voto.
Outro tema importante na disputa pelo voto nordestino é o futuro do Bolsa Família, programa que atende milhões de famílias em situação de vulnerabilidade social.
A discussão ganhou força depois que Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio, defendeu uma transição de dois anos para beneficiários que conseguissem emprego ou abrissem um negócio.
A declaração foi utilizada por apoiadores de Lula para questionar as intenções do candidato do PL em relação à continuidade do programa.
Em resposta, Flávio afirmou que pretende manter o Bolsa Família e argumentou que o período de transição seria aplicado a beneficiários que ingressassem no mercado de trabalho, e não representaria uma suspensão imediata e generalizada do benefício.
O tema possui importância especial no Nordeste, região que concentra o maior contingente de famílias atendidas pelo programa. Para muitos eleitores, a manutenção da assistência social, as oportunidades de emprego e o aumento da renda familiar são fatores relevantes na escolha presidencial.
O debate também evidencia como as propostas econômicas e sociais se tornaram instrumentos centrais das campanhas. Além das promessas, os candidatos precisam esclarecer como pretendem financiar e executar suas políticas e quais seriam as condições para a manutenção dos benefícios.
A campanha entra agora em uma fase decisiva, com prazos legais mais restritos para a realização de atos eleitorais e divulgação de propaganda.
Pelo calendário mencionado na reportagem, comícios e propaganda eleitoral paga na internet poderiam ocorrer até 22 de outubro. O horário eleitoral gratuito e os debates no rádio e na televisão terminariam em 23 de outubro, enquanto caminhadas, carreatas e distribuição de materiais impressos poderiam ocorrer até as 22h do dia 24.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro, quando os eleitores escolherão o próximo presidente da República.
Nesse cenário, cada agenda pública, entrevista e publicação nas redes sociais passa a ter importância para as campanhas. Flávio busca reduzir a vantagem de Lula no Nordeste, enquanto o presidente tenta preservar sua força na região e ampliar suas possibilidades de vitória nacional.
A disputa demonstra que o comportamento do eleitorado nordestino continua sendo um dos fatores mais relevantes da eleição. Embora o senador tenha registrado crescimento em comparação com a votação de Jair Bolsonaro em 2022, a diferença regional permanece significativa.
O resultado final dependerá da distribuição dos votos em todo o país, da participação dos eleitores e da capacidade das campanhas de transformar mobilizações políticas em apoio efetivo nas urnas.





