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Flávio pede investigação contra Lula

Flávio pede investigação contra Lula

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (23), uma notícia-crime contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No documento, Flávio solicita a abertura de uma investigação para apurar suspeitas relacionadas ao chamado caso Banco Master.

A iniciativa tem como base mensagens que teriam sido encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo as informações divulgadas, os registros incluem conversas atribuídas ao então advogado de Vorcaro, Walfrido Warde, nas quais são mencionados contatos com Lula e integrantes do governo federal.

Um dos pontos que motivaram o pedido apresentado ao Supremo é uma mensagem enviada por Warde a Vorcaro em janeiro de 2025. No texto, o advogado relata uma conversa com o presidente e afirma que Lula teria agradecido por um uísque recebido anteriormente. A mensagem teria sido enviada cerca de um mês depois de um encontro entre Lula e Vorcaro no Palácio do Planalto.

A existência desse registro foi inicialmente divulgada pelo jornal O Globo e posteriormente confirmada pela CNN Brasil com fontes que tiveram acesso aos dados extraídos do celular do ex-banqueiro. Na mensagem, Warde relata a Vorcaro que havia estado com o presidente e que Lula teria perguntado sobre a situação do banqueiro. O advogado também teria informado que Vorcaro estava bem e mais tranquilo e, na sequência, mencionado um suposto agradecimento pelo uísque.

A partir desse conteúdo, a defesa de Flávio Bolsonaro solicita que sejam investigadas as circunstâncias envolvendo o suposto presente e se houve qualquer tipo de contrapartida relacionada à atuação do presidente ou do governo federal em favor de interesses privados.

Os advogados também levantam a hipótese de eventual utilização do cargo público para beneficiar interesses de Vorcaro e do Banco Master. O pedido, entretanto, trata-se de uma solicitação para que os fatos sejam investigados, não de uma decisão judicial que tenha reconhecido a existência de crime. A notícia-crime foi encaminhada ao ministro André Mendonça, do STF. Caberá à Justiça analisar os argumentos apresentados e decidir sobre os próximos passos do caso.

A Presidência da República nega que Lula tenha recebido qualquer presente de Vorcaro. Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), o governo afirmou que o presidente encontrou Daniel Vorcaro apenas uma vez, em 4 de dezembro de 2024.

De acordo com a versão apresentada pelo governo, o encontro ocorreu no Palácio do Planalto e não estava previamente agendado. Vorcaro teria comparecido ao local acompanhado do ex-ministro Guido Mantega. Também participaram da conversa o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e Gabriel Galípolo, que à época ocupava o cargo de diretor de Política Monetária do Banco Central e atualmente preside a instituição.

Segundo a Secom, durante a reunião, Vorcaro afirmou que estaria sendo alvo de perseguições. Lula teria respondido que eventuais denúncias deveriam ser analisadas tecnicamente pelo Banco Central. O governo também declarou que Lula não teve outros contatos com Vorcaro, não tinha conhecimento da suposta articulação mencionada nas mensagens e não recebeu o suposto presente.

A Secom afirmou ainda que não houve envio de recados ou comentários do presidente relacionados a festas promovidas pelo banqueiro. Outro ponto destacado pelo governo é que foi durante a atual gestão que o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master. Daniel Vorcaro também foi preso pela Polícia Federal no contexto das investigações envolvendo a instituição financeira.

O episódio agora passa a integrar a disputa política e jurídica em torno das investigações relacionadas ao Banco Master. De um lado, a representação apresentada por Flávio Bolsonaro solicita que as circunstâncias envolvendo o suposto presente e possíveis contatos entre integrantes do governo e pessoas ligadas ao banco sejam investigadas. Do outro, o governo nega o recebimento do presente e afirma que Lula teve apenas um encontro com Vorcaro. A mensagem atribuída ao ex-advogado de Vorcaro é, portanto, um dos elementos citados na notícia-crime apresentada ao STF. O conteúdo, por si só, não estabelece uma conclusão sobre eventual prática criminosa, e os fatos ainda dependem da análise das autoridades competentes.

A investigação solicitada deverá esclarecer, caso seja instaurada, a origem e o contexto das mensagens, a existência ou não do suposto presente e se houve alguma relação entre o episódio e decisões ou ações de agentes públicos em relação ao Banco Master. O caso deve continuar sendo acompanhado pelo Supremo Tribunal Federal e pelas autoridades responsáveis pelas investigações, enquanto as partes envolvidas apresentam suas versões sobre os fatos.

Ana Carolina