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Lula discursa na ONU nesta terça

Lula discursa na ONU nesta terça

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta terça-feira (22) da abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos. O pronunciamento marca a última participação de Lula na Assembleia Geral durante o atual mandato e ocorre em um momento de forte atenção internacional sobre temas como soberania, democracia, conflitos armados e relações entre países.

Tradicionalmente, o Brasil é responsável por abrir a sequência de discursos dos chefes de Estado na Assembleia Geral da ONU. A tradição existe desde 1955 e coloca o representante brasileiro no primeiro pronunciamento do Debate Geral. Logo depois, fala o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A programação deste ano, portanto, coloca os dois líderes em uma sequência de discursos marcada por diferentes posições sobre assuntos da agenda internacional.

A viagem de Lula a Nova York também acontece em um período particularmente importante no calendário político brasileiro. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro, menos de duas semanas depois do discurso. Por esse motivo, a passagem do presidente pelos Estados Unidos foi planejada de forma mais curta, com previsão de retorno ao Brasil ainda nesta terça-feira.

Segundo informações divulgadas antes do pronunciamento, um dos principais pontos esperados na fala é a defesa da soberania brasileira. O tema ganhou espaço no discurso do governo diante das recentes tensões entre Brasil e Estados Unidos e das preocupações manifestadas pelo Palácio do Planalto sobre possíveis interferências estrangeiras no processo eleitoral brasileiro.

A expectativa, segundo as informações divulgadas por fontes próximas ao governo, é que Lula trate do assunto de maneira institucional, sem necessariamente citar diretamente os Estados Unidos ou autoridades específicas. A ideia seria reforçar o princípio de que cada país deve ter autonomia para conduzir seus assuntos internos e seu processo democrático.

A defesa da democracia também deve ocupar espaço no pronunciamento. O cenário internacional dos últimos anos, marcado por disputas políticas, conflitos e questionamentos sobre instituições democráticas, deve ser utilizado pelo presidente para defender o fortalecimento das instituições e do sistema multilateral.

Outro assunto previsto é a reforma das Nações Unidas, especialmente do Conselho de Segurança. O Brasil há décadas defende mudanças na estrutura do órgão, argumentando que sua composição atual não representa adequadamente a realidade geopolítica contemporânea.

Atualmente, o Conselho de Segurança possui cinco membros permanentes — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido — que têm poder de veto. O governo brasileiro defende uma ampliação da representação dentro do órgão, incluindo maior participação de países de regiões como África e América Latina. A discussão sobre a reforma ganhou ainda mais relevância diante da dificuldade da comunidade internacional em encontrar soluções para diferentes conflitos que permanecem em andamento.

Os conflitos internacionais também devem fazer parte da fala de Lula. Entre os assuntos que podem aparecer estão a guerra na Ucrânia e a situação no Oriente Médio. O presidente brasileiro tem defendido reiteradamente a necessidade de soluções diplomáticas e de maior atuação dos organismos internacionais na tentativa de evitar a continuidade dos confrontos.

O tema oficial da 81ª Assembleia Geral é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. O Debate Geral reúne representantes dos 193 Estados-membros entre os dias 22 e 28 de setembro, em Nova York, para discutir desafios globais e propostas de cooperação internacional.

A questão ambiental também deve aparecer entre os temas abordados pelo presidente. O Brasil pretende reforçar sua posição sobre preservação ambiental, mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável. Outro ponto relacionado à agenda econômica é a defesa da possibilidade de conciliar produção agropecuária, crescimento econômico e preservação dos recursos naturais.

O combate ao crime organizado é outro assunto que ganhou espaço no contexto das relações entre Brasil e Estados Unidos. Nos dias que antecederam a Assembleia Geral, documentos divulgados pelo governo norte-americano fizeram críticas à atuação brasileira no enfrentamento de organizações criminosas. O governo brasileiro rejeitou as acusações e destacou ações realizadas no combate ao crime organizado.

Diante desse cenário, a expectativa era de que Lula abordasse a necessidade de cooperação internacional no combate às organizações criminosas, sem transformar o pronunciamento em um discurso exclusivamente voltado às relações bilaterais entre Brasília e Washington.

A passagem pela ONU também representa um momento simbólico para o presidente. Esta é a décima participação de Lula no encontro internacional e a última prevista durante o atual mandato, já que a próxima Assembleia Geral acontecerá somente em setembro de 2027.

O mandato presidencial atual termina em 31 de dezembro de 2026. Assim, a participação desta terça-feira encerra a sequência de discursos de Lula na Assembleia Geral durante o atual período de governo. A presença do Brasil no encontro do próximo ano ficará sob responsabilidade do presidente que estiver no cargo naquele momento.

Além dos assuntos diretamente relacionados ao Brasil, o discurso também deve reforçar a defesa do multilateralismo, conceito segundo o qual os países devem trabalhar conjuntamente por meio de instituições e acordos internacionais para enfrentar problemas que ultrapassam fronteiras.

Para o governo brasileiro, a ONU continua sendo um espaço central para negociações diplomáticas e para a busca de soluções coletivas para problemas como guerras, mudanças climáticas, desigualdade, segurança internacional e desenvolvimento.

A participação brasileira ocorre, portanto, em um contexto de grande atenção internacional. De um lado, Lula deve apresentar as prioridades brasileiras para a política externa e defender temas que tradicionalmente fazem parte da agenda diplomática do país. De outro, o discurso acontece próximo das eleições brasileiras e em meio a tensões recentes envolvendo Brasil e Estados Unidos.

Apesar das expectativas sobre possíveis recados relacionados ao cenário político nacional, informações divulgadas antes do pronunciamento indicavam que Lula não deveria transformar a tribuna da ONU em um espaço dedicado exclusivamente às disputas internas brasileiras. A previsão era de uma abordagem mais ampla, concentrada em soberania, democracia, relações internacionais, conflitos, meio ambiente, comércio e reforma das instituições multilaterais.

A posição do Brasil na abertura da Assembleia Geral também mantém uma característica histórica. Desde 1955, o país inicia oficialmente a rodada de discursos dos chefes de Estado, seguido pelo país anfitrião, os Estados Unidos. Dessa forma, o pronunciamento de Lula nesta terça-feira ganha atenção adicional por anteceder imediatamente a fala de Donald Trump.

A 81ª Assembleia Geral da ONU seguirá até 28 de setembro, reunindo líderes de diferentes países para apresentar suas prioridades e discutir questões que afetam a comunidade internacional.

O discurso de Lula, marcado para esta terça-feira, deverá apresentar a visão do governo brasileiro sobre os principais desafios internacionais e reafirmar posições tradicionais da diplomacia do país, especialmente em relação à soberania nacional, democracia, cooperação internacional, meio ambiente e reforma do sistema das Nações Unidas.

Acompanhe as principais informações sobre o pronunciamento e os desdobramentos da participação brasileira na Assembleia Geral da ONU.

Ana Carolina