A aprovação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caiu para 32%, segundo uma nova pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta segunda-feira (21). O resultado representa o menor índice registrado para Trump ao longo de sua carreira política e ocorre em meio à crescente preocupação dos americanos com o custo de vida e os preços dos combustíveis.
O levantamento mostra uma redução na avaliação positiva do presidente também entre os eleitores que se identificam com o Partido Republicano. Entre os republicanos entrevistados, 73% disseram aprovar o desempenho de Trump no cargo. Na pesquisa anterior, realizada uma semana antes, esse percentual era de 82%.
A queda aparece em um momento de atenção especial para a economia doméstica dos Estados Unidos. O custo de vida foi apontado pelos entrevistados como uma das principais questões que deverão influenciar o comportamento do eleitor nas eleições legislativas de meio de mandato, previstas para novembro.
A pesquisa indica que a percepção dos americanos sobre a atuação do governo nessa área é especialmente negativa. Apenas 17% dos participantes afirmaram aprovar a maneira como Trump vem conduzindo a questão do custo de vida.
Entre os próprios republicanos, grupo que tradicionalmente constitui uma parcela importante da base política do presidente, a avaliação sobre o tema também apresentou mudança significativa. Pela primeira vez, segundo o levantamento, a parcela de republicanos que desaprova a atuação de Trump em relação ao custo de vida ficou acima daqueles que aprovam: 51% contra 44%.
O resultado ocorre em meio à pressão provocada pelo aumento dos preços da energia. A situação econômica está relacionada, entre outros fatores, aos efeitos do conflito envolvendo Estados Unidos e Irã, iniciado em fevereiro. A guerra afetou o Estreito de Ormuz, região estratégica para o transporte internacional de petróleo e gás.
A elevação dos preços dos combustíveis passou a representar uma preocupação adicional para os consumidores americanos. Dados citados na reportagem mostram que, em 17 de setembro, o preço médio da gasolina nos Estados Unidos chegou a US$ 4,47 por galão. No caso do diesel, o valor alcançou US$ 6,45 por galão, considerado um recorde para o combustível naquele momento.
Segundo informações da Reuters, além dos impactos provocados pela redução ou dificuldade de oferta de energia decorrente do conflito, problemas relacionados à capacidade de refino também contribuíram para pressionar os preços dos combustíveis.
O cenário representa um desafio para o governo Trump, que retornou à Casa Branca em janeiro de 2025 tendo entre suas principais promessas a redução da inflação e a busca pelo encerramento de conflitos internacionais.
Quando voltou à Presidência, Trump apresentava um índice de aprovação superior ao registrado agora. Uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada poucas horas depois de sua posse apontava 47% de aprovação. Desde então, a avaliação sobre seu governo oscilou, chegando agora aos 32%.
A comparação com a pesquisa imediatamente anterior também mostra uma mudança relevante. Na rodada realizada uma semana antes, a aprovação geral de Trump estava em 35%. O novo levantamento, portanto, registra uma queda de três pontos percentuais no período.
Apesar da redução entre os republicanos, a maioria dos integrantes desse grupo ainda declarou aprovar o desempenho do presidente no cargo. O levantamento, entretanto, chama atenção para a mudança específica na avaliação sobre o custo de vida, área em que a desaprovação passou a superar a aprovação entre os republicanos entrevistados.
O momento também ganha importância por ocorrer às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos. A votação está prevista para 3 de novembro e definirá disputas para o Congresso americano. Os republicanos buscam manter suas maiorias, que atualmente são consideradas estreitas.
As pesquisas de opinião realizadas antes de uma eleição ajudam a mostrar como os eleitores estão avaliando determinados temas e autoridades naquele momento, mas não determinam necessariamente o resultado futuro das urnas. Os números podem sofrer alterações à medida que o cenário político e econômico se modifica.
No caso do levantamento Reuters/Ipsos, a pesquisa foi realizada pela internet durante quatro dias e encerrada no domingo (20). Ao todo, foram ouvidos 1.277 adultos nos Estados Unidos. A margem de erro informada é de três pontos percentuais.
Por isso, os dados devem ser analisados considerando o tamanho da amostra e o período em que as entrevistas foram realizadas. O levantamento representa um retrato da opinião dos entrevistados naquele momento, especialmente em relação à avaliação do governo e às preocupações econômicas.
A questão do custo de vida aparece como um dos principais pontos de atenção para a administração Trump. O aumento de despesas cotidianas, especialmente aquelas relacionadas à energia e aos combustíveis, pode influenciar a percepção dos consumidores sobre a situação econômica do país.
O preço dos combustíveis possui impacto que vai além do abastecimento dos veículos. Alterações nos valores da gasolina e do diesel podem afetar custos de transporte, logística e distribuição de mercadorias, contribuindo para pressionar outras despesas enfrentadas pelas famílias e empresas.
Nesse contexto, o desempenho econômico do governo passa a ser observado de maneira mais direta pelos eleitores. A pesquisa indica que o custo de vida se tornou uma questão central na avaliação da administração e também aparece entre os assuntos que os americanos consideram relevantes para as eleições legislativas.
A queda da aprovação geral para 32% também chama atenção por representar o menor índice registrado para Trump em sua trajetória política, de acordo com o levantamento Reuters/Ipsos. O resultado, porém, não significa que todo o eleitorado tenha passado a rejeitar o presidente, já que a pesquisa mostra diferenças importantes entre grupos políticos.
Entre os republicanos, por exemplo, a aprovação do desempenho geral de Trump permanece em 73%. O dado demonstra que existe uma diferença entre a avaliação do presidente como um todo e a avaliação específica de sua condução do custo de vida.
A evolução desses números deverá ser acompanhada nas próximas pesquisas, principalmente diante da proximidade das eleições de novembro e da continuidade das pressões econômicas relacionadas aos combustíveis e à energia.
O levantamento mais recente, portanto, apresenta um cenário de queda na aprovação de Donald Trump e evidencia que a economia doméstica, particularmente o custo de vida, está entre os principais desafios políticos enfrentados pelo governo americano neste momento.
Os próximos meses deverão mostrar se essa percepção permanecerá estável ou se haverá mudanças na avaliação dos eleitores à medida que as condições econômicas e o cenário internacional evoluírem.





