Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, revelaram conversas entre ele e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), envolvendo negócios imobiliários ligados à família do parlamentar na Paraíba. Os diálogos, segundo informações divulgadas pelo Correio Braziliense, foram trocados entre 2024 e 2025 e mostram Motta tratando diretamente com Vorcaro sobre uma negociação que envolvia um empréstimo de R$ 22 milhões.
De acordo com os documentos obtidos pela Polícia Federal, a operação estava relacionada à compra de uma área em João Pessoa onde existia uma antiga fábrica de cimento. O terreno seria utilizado posteriormente para a construção de um empreendimento imobiliário com a proposta de criação de um novo bairro.
A negociação envolvia uma empresa que passou para o nome da cunhada de Hugo Motta. Nas conversas, o presidente da Câmara informa a Vorcaro que os documentos necessários para a transferência da empresa já haviam sido assinados e pede orientação ao então banqueiro sobre os próximos passos da negociação.
Em uma das mensagens, Motta chama Vorcaro de “amigo” e relata que estava reunido com pessoas envolvidas na compra da área. O parlamentar também menciona que havia um prazo para o pagamento relacionado à negociação e pede ajuda para definir como a operação deveria ser conduzida.
Vorcaro responde indicando que faria uma operação rápida com uma pessoa identificada nas mensagens como Adriana, enquanto a questão societária seria organizada paralelamente. No dia seguinte, Motta volta a conversar com o banqueiro e agradece pela ajuda, afirmando que a negociação havia sido concluída dentro do prazo estabelecido.
A documentação analisada pela Polícia Federal aponta que a cunhada de Motta recebeu um empréstimo de R$ 22 milhões do Banco Master para viabilizar a aquisição do terreno. O valor teria sido utilizado na compra da área pertencente anteriormente a uma antiga fábrica de cimento localizada em João Pessoa.
As mensagens também mostram que o relacionamento entre Motta e Vorcaro não estaria limitado à negociação financeira. Em outros trechos, os dois conversam sobre assuntos pessoais e até sobre a possibilidade de uma viagem em um jato particular pertencente ao banqueiro.
A divulgação das mensagens colocou a relação entre o presidente da Câmara e o ex-controlador do Banco Master sob atenção em meio às investigações conduzidas pela Polícia Federal. O banco está no centro de apurações que analisam diferentes operações financeiras e negócios realizados antes da liquidação extrajudicial da instituição.
Apesar da existência das conversas e do empréstimo, não há, nas informações divulgadas, indicação de que Hugo Motta tenha sido beneficiário direto do crédito. A operação mencionada envolveu uma empresa ligada à sua cunhada, que teria recebido o financiamento para adquirir o imóvel.
Procurado para comentar o caso, Hugo Motta afirmou que, ao longo de sua atuação parlamentar, sempre manteve diálogo com representantes de diferentes setores empresariais e da sociedade. O presidente da Câmara também negou a existência de qualquer irregularidade relacionada às conversas divulgadas.
Motta afirmou ainda que os diálogos não demonstrariam a prática de ilícitos ou favorecimento indevido. Segundo sua manifestação, as conversas teriam sido retiradas de contexto e não poderiam ser utilizadas para atribuir a ele uma relação irregular com o ex-banqueiro.
O parlamentar também destacou que o empréstimo foi firmado por uma empresa privada com uma instituição financeira privada em um período anterior à divulgação das investigações envolvendo o Banco Master e seu controlador. Dessa forma, segundo Motta, quando a operação foi realizada não havia conhecimento público sobre os fatos posteriormente investigados pelas autoridades.
As mensagens, no entanto, passaram a ser analisadas pela Polícia Federal dentro do conjunto de documentos encontrados no aparelho celular de Vorcaro. A investigação busca compreender as relações empresariais, financeiras e pessoais mantidas pelo ex-banqueiro com diferentes pessoas e setores.
A operação envolvendo o terreno em João Pessoa ganhou destaque justamente pelo valor elevado do empréstimo e pela participação de uma pessoa da família de um dos principais integrantes do Congresso Nacional. O negócio também chama atenção porque as conversas mostram o próprio presidente da Câmara acompanhando etapas da negociação e mantendo contato direto com Vorcaro.
Em determinado momento, Motta informa que a transferência da empresa para o nome da cunhada já havia sido formalizada. Na sequência, trata da negociação do terreno e pede orientação sobre a estrutura da operação. Vorcaro, por sua vez, apresenta uma solução para agilizar a transação enquanto os detalhes societários seriam ajustados.
No dia seguinte, a mensagem enviada por Motta registra agradecimento pela atuação de Vorcaro e afirma que o prazo para concluir a operação havia sido cumprido. O parlamentar também menciona a expectativa de continuidade do projeto e fala em novos passos para o empreendimento.
O terreno negociado está localizado em João Pessoa e, segundo as informações divulgadas, fazia parte da área onde funcionava uma antiga fábrica de cimento. A proposta seria transformar o espaço em um empreendimento imobiliário de grande porte.
A operação ocorreu em um período anterior à atual fase das investigações sobre o Banco Master. Por isso, a defesa de Motta sustenta que não havia, naquele momento, conhecimento sobre as suspeitas que posteriormente vieram a público envolvendo Vorcaro e a instituição financeira.
O caso agora integra o conjunto de informações analisadas pelas autoridades dentro das investigações relacionadas ao Banco Master. A existência das mensagens, por si só, não determina a ocorrência de crime ou irregularidade, e eventuais responsabilidades precisam ser estabelecidas a partir das provas reunidas pelos investigadores e das decisões das autoridades competentes.
A situação também deverá ser acompanhada diante da posição institucional ocupada por Hugo Motta. Como presidente da Câmara dos Deputados, ele exerce uma função de destaque no Congresso Nacional e participa da condução dos trabalhos legislativos.
A relação registrada nas mensagens, portanto, passou a ser observada não apenas pelo aspecto empresarial, mas também pela proximidade entre um importante agente político e um empresário que está no centro de uma investigação de grande repercussão.
As autoridades ainda deverão analisar o conteúdo completo das mensagens, os documentos relacionados ao empréstimo e os demais elementos encontrados durante as investigações. A partir desse material, poderá ser possível esclarecer como a operação foi estruturada, quais pessoas participaram das negociações e quais foram os caminhos percorridos pelos recursos.
Até o momento, Hugo Motta nega qualquer irregularidade e afirma que sua atuação ocorreu dentro de suas atividades de diálogo com diferentes setores da sociedade e do empresariado. O presidente da Câmara também sustenta que não houve favorecimento ou interesse indevido de sua parte.
O caso continua em apuração, e novas informações poderão surgir conforme a Polícia Federal avance na análise dos documentos e das mensagens apreendidas. A investigação deverá esclarecer também se a negociação imobiliária teve alguma relação com outras operações realizadas pelo Banco Master ou se se tratou de uma operação privada independente.
Enquanto isso, a divulgação dos diálogos amplia a atenção sobre a relação entre Hugo Motta e Daniel Vorcaro e coloca em evidência uma operação imobiliária de R$ 22 milhões envolvendo uma empresa ligada à família do presidente da Câmara.





