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Jair e Eduardo Bolsonaro são indiciados por tentativa de abolição do Estado Democrático

Jair e Eduardo Bolsonaro são indiciados pela PF por coação e tentativa de abolição do Estado Democrático
Foto: Reprodução/Facebook @bolsonaro.enb

A Polícia Federal indiciou, nesta quarta-feira (20), o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O indiciamento foi realizado no âmbito das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Segundo o relatório da PF, Eduardo Bolsonaro teria atuado diretamente dos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e influenciar decisões judiciais. O parlamentar teria articulado medidas com o governo norte-americano, incluindo sanções e tarifas comerciais, com o objetivo de intimidar integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF).

Mensagens obtidas pela PF mostram conversas entre pai e filho, nas quais Eduardo propõe ações contra o STF e critica a atuação de Jair Bolsonaro, sugerindo que ele estaria impedindo avanços nas articulações. Em uma das trocas, Eduardo cobra do pai um “posicionamento mais firme” e diz que, caso Trump “vire as costas”, a situação dele poderá piorar.

Ainda segundo a PF, há indícios de que Eduardo tenha atuado diretamente junto ao governo dos EUA, inclusive sendo citado como responsável pela implementação da tarifa de 50% sobre exportações brasileiras, anunciada por Trump em julho. Após o anúncio da sobretaxa, Eduardo teria pressionado o pai a agradecer publicamente o ex-presidente americano.

Além das mensagens, o relatório inclui a minuta de um pedido de asilo político redigida por Bolsonaro e destinada ao presidente da Argentina, Javier Milei. O documento, encontrado no celular do ex-presidente, teria sido salvo dias após o início da operação Tempus Veritatis e expressa preocupação com sua segurança pessoal, mencionando “temor por um novo atentado político”.

A PF destaca que o arquivo foi criado e modificado por Fernanda Bolsonaro, nora do ex-presidente, antes mesmo de Jair Bolsonaro ser oficialmente indiciado pelos atos golpistas. O texto pedia asilo em caráter de urgência e continha trechos bíblicos.

O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, determinou que a defesa de Bolsonaro se manifeste em até 48 horas sobre os supostos descumprimentos das medidas cautelares e o risco de fuga evidenciado pelo conteúdo da investigação.

A decisão sobre a apresentação de denúncia formal caberá agora ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, com base no material encaminhado pela Polícia Federal.

Editor Sucesso