O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa nesta terça-feira (22) na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, em um momento de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos. A fala ocorre após Lula voltar a criticar a postura do presidente americano Donald Trump e classificá-lo como “imperador” em entrevista à CNN Internacional.
O pronunciamento brasileiro deve abordar temas tradicionais da diplomacia nacional, como soberania, fortalecimento do multilateralismo e reforma do Conselho de Segurança da ONU. Também estão entre os assuntos esperados o combate à pobreza, o enfrentamento ao crime organizado, os conflitos internacionais e a defesa de uma maior participação dos países nas decisões globais.
A relação com os Estados Unidos, entretanto, deverá ocupar espaço importante no contexto da fala. Brasil e EUA atravessam um período de divergências após a aplicação de tarifas de 37,5% sobre produtos brasileiros pelo governo Trump. Lula afirmou que prefere buscar uma solução por meio das negociações e disse que o Brasil poderá recorrer à Lei da Reciprocidade caso não haja acordo.
Na entrevista concedida na véspera do discurso, Lula afirmou que Trump foi eleito para governar os Estados Unidos, mas não teria o direito de impor sua vontade a outros países. O presidente brasileiro também defendeu que as relações entre as nações sejam baseadas em respeito e negociação.
Outro ponto de atenção é a eleição presidencial brasileira, marcada para 4 de outubro. Lula demonstrou preocupação com uma possível interferência estrangeira no processo eleitoral, embora tenha reconhecido que, até o momento, não existem evidências de movimentos mais consistentes nesse sentido. O assunto deverá aparecer de forma indireta na defesa da soberania brasileira durante o discurso.
A questão do combate ao crime organizado também deve ser destacada. O governo americano criticou a política brasileira de enfrentamento a facções criminosas como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, enquanto o governo Lula defende as ações realizadas pelas autoridades brasileiras.
No cenário internacional, Lula também deverá abordar os conflitos armados e defender uma atuação mais efetiva das instituições multilaterais. Em declarações recentes, o presidente voltou a defender mudanças no Conselho de Segurança da ONU e criticou a dificuldade da comunidade internacional em encontrar soluções para guerras e crises que permanecem em diferentes regiões do mundo.
A participação desta terça-feira será a décima vez em que Lula ocupa a tribuna da Assembleia Geral da ONU. O presidente chegou a Nova York no domingo (20) e tem uma agenda curta na cidade, com previsão de retorno ao Brasil ainda nesta terça-feira, após o pronunciamento.
Existe ainda a expectativa de um novo encontro entre Lula e Trump durante a programação da ONU. Os dois já tiveram um breve contato presencial em 2025, quando se encontraram às margens da Assembleia Geral. Um eventual reencontro nesta terça-feira seria o primeiro desde a visita de Lula à Casa Branca, em maio.
O discurso acontece, portanto, em um cenário que combina diplomacia internacional, relações comerciais e questões políticas brasileiras. Lula deverá utilizar a tradicional abertura brasileira na Assembleia Geral para apresentar as posições do país sobre soberania, cooperação internacional e os principais conflitos e desafios globais.
Após a fala do presidente brasileiro, será a vez de Donald Trump discursar. A sequência aumenta a atenção sobre as declarações dos dois líderes em meio às divergências comerciais e diplomáticas entre os governos.
A participação de Lula na ONU também deverá funcionar como uma apresentação das prioridades do governo brasileiro no cenário internacional, enquanto o presidente busca reforçar a defesa do multilateralismo e da autonomia dos países nas decisões políticas e econômicas.
O possível reencontro com Trump e as declarações recentes do presidente brasileiro fazem com que o pronunciamento desta terça-feira seja acompanhado de perto, especialmente diante das discussões envolvendo tarifas, eleições, soberania e as relações entre Brasil e Estados Unidos.





