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Brasil rejeitou chantagem dos EUA que exigia “dissidentes” na eleição

Brasil rejeitou chantagem dos EUA que exigia "dissidentes" na eleição

O governo brasileiro rejeitou de forma imediata uma minuta enviada pelos Estados Unidos em 16 de outubro de 2025 que condicionava a redução do tarifaço de 50% a uma série de concessões eleitorais e comerciais absurdas. A informação foi confirmada pelo Correio Braziliense e pelo Estado de S. Paulo nesta quinta-feira.O documento chegou às mãos do chanceler Mauro Vieira quando ele estava em Washington para se reunir com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e com o representante de Comércio, Jamieson Greer. Era uma lista com 21 exigências que misturava comércio com interferência política direta.A exigência mais grave estava escrita com todas as letras: “O Brasil se comprometerá a realizar eleições presidenciais livres e justas em 2026 e não deterá, prenderá nem limitará arbitrariamente, de qualquer outra forma, a participação de dissidentes políticos no processo eleitoral”.Na prática, era a tentativa de vincular a economia à política interna.

O texto não citava o nome de Jair Bolsonaro, condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado, mas diplomatas brasileiros interpretaram a cláusula como uma forma de pressionar pela liberação dele e de aliados para disputar a eleição de 4 de outubro.Além da questão eleitoral, os EUA exigiam outras concessões comerciais:Compra obrigatória de aeronaves da Boeing por companhias aéreas brasileiras;Direito de preferência para empresas americanas na compra de jazidas de minerais críticos, como lítio e nióbio;Fim de tarifas para produtos americanos;Adoção do princípio de “neutralidade competitiva” sobre o Pix e sobre meios de pagamento eletrônicos.Segundo o Itamaraty, parte das demandas extrapolava as atribuições do Executivo ou era incompatível com a legislação nacional.

Por isso, os pontos mais sensíveis sequer foram levados à mesa com Rubio e Greer. Nos bastidores, diplomatas classificaram o documento como “bullying diplomático” e afirmaram que ele “nasceu morto”.A proposta foi apresentada três meses depois do anúncio do tarifaço de Trump, em julho de 2025, quando o presidente americano justificou a sobretaxa citando justamente o processo contra Bolsonaro e decisões do STF que removeram perfis americanos das redes.O governo Lula foi firme e recusou integralmente que assuntos de ordem política, soberana e institucional fizessem parte de tratativas comerciais. O episódio só veio a público agora, quase um ano depois, após o acesso à íntegra da minuta.

Ana Carolina