A avaliação é da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal que é referência em contas públicas. De acordo com o levantamento, nenhum dos presidenciáveis apresentou medidas concretas e estruturais capazes de reverter a trajetória de alta do endividamento.O Brasil hoje vive um paradoxo fiscal perigoso. A dívida bruta já está em 82,5% do PIB, segundo dados do Banco Central, e deve chegar a 86,4% até o final de 2027. O diretor-executivo da IFI, Marcus Pestana, já alertou que se nada for feito, ela pode bater 100% do PIB em 2030, nível considerado crítico para países emergentes.O problema é que os candidatos falam em controlar gastos, mas fogem das reformas mais duras.
O governo federal, por exemplo, enviou ao Congresso o Orçamento de 2027 com previsão de superávit de R18,6bilho~es.AIFIcalculaooposto:umdeˊficitdeR 86,1 bilhões. Para tentar fechar a conta, o próximo presidente terá que cortar ou congelar pelo menos R$ 35,7 bilhões em investimentos e custeio logo no primeiro ano.O relatório aponta que o Brasil entrou em um ciclo vicioso: a dívida alta força o Banco Central a manter os juros altos, os juros altos fazem a dívida crescer ainda mais, e o governo fica sem dinheiro para investir. Esse ciclo afeta diretamente o bolso da população, encarecendo crédito imobiliário, cartão de crédito e financiamento de veículos.Outro ponto grave destacado no estudo é o engessamento do Orçamento.
A partir de 2027, 100% de tudo que o governo arrecada será usado para pagar despesas obrigatórias, como aposentadorias, Bolsa Família e salários de servidores. Não sobrará nada para obras. O presidente que for eleito em outubro vai assumir, na prática, sem poder executar o próprio plano de governo.Para estabilizar a dívida, o Brasil precisaria gerar um superávit primário de 2,4% do PIB todos os anos, algo que não acontece desde 2014. Para isso, seria necessário discutir corte de benefícios tributários, reforma da Previdência e redução de gastos com pessoal, temas que todos os candidatos estão evitando por medo de perder votos.O estudo conclui que, do jeito que estão, os planos são apenas paliativos e não resolvem o problema estrutural que fez o Brasil acumular seis anos seguidos de déficit nas contas.





